O Ministério Público pediu, nesta quarta-feira, a absolvição de Bruno de Carvalho, antigo presidente do Sporting, Mustafá e Bruno Jacinto, acusados da autoria moral da invasão à Academia do Sporting, em Alcochete.

O antigo presidente do clube, o líder da claque Juve Leo e o Oficial de Ligação aos adeptos estavam acusados de ter incitado os outros 41 arguidos a invadir a Academia e agredir os jogadores em 15 de maio de 2018.

Na 36.ª sessão do julgamento, a procuradora do Ministério Público, Fernanda Matias, entendeu que “não se fez prova de que os arguidos tenham incitado outros arguidos à prática de atos criminosos”.

Bruno de Carvalho, Mustafá e Bruno Jacinto estavam acusados da autoria moral de 40 crimes de ameaça gravada, 19 crimes de ofensas à integridade física qualificadas e 38 crimes de sequestro.

O processo do ataque à Academia do Sporting, em Alcochete - onde, em 15 de maio de 2018, jogadores e equipa técnica do Sporting foram agredidos por adeptos ligados à claque leonina Juve Leo –, tem 44 arguidos, acusados de coautoria de 40 crimes de ameaça agravada, de 19 crimes de ofensa à integridade física qualificada e de 38 crimes de sequestro, todos estes (97 crimes) classificados como terrorismo.

Bruno de Carvalho diz que recuperou "um pouco a crença na justiça"

 O antigo presidente do Sporting Bruno de Carvalho afirmou esta quarta-feira que recuperou "um pouco a crença na justiça”, depois do Ministério Público ter pedido a sua absolvição dos crimes de autoria moral da invasão à Academia de Alcochete.

oje, recuperei um pouco da minha crença na Justiça. O pedido de absolvição, por parte do Ministério Público, foi, para mim, uma notícia merecida e que dedico às pessoas que sempre lutaram pela crença na minha inocência e pela reposição da verdade. Ainda nada está ganho, mas esta sensação de início de justiça tinha de ser partilhada com todos”, escreveu Bruno de Carvalho, na sua página oficial na rede social Instagram.

‘Mustafá’ e Bruno Jacinto satisfeitos com pedido de absolvição do MP

Os arguidos Nuno Mendes, conhecido por ‘Mustafá’, e Bruno Jacinto saíram esta quarta-feira visivelmente satisfeitos do tribunal de Monsanto, após ouvirem o Ministério Público (MP) pedir a absolvição da autoria moral dos crimes no ataque à Academia do Sporting.

Não sei qual foi a novidade, para quem assistiu desde o início ao julgamento. O sentimento é de tristeza, porque foram nove meses [de prisão preventiva]. Não mudou tudo hoje, mas estou em liberdade graças a este senhor”, afirmou o líder da claque Juventude Leonina, apontando para o seu advogado, Rocha Quintal.

De acordo com o representante de Mustafá, o MP foi “intelectualmente honesto na avaliação” do julgamento, embora tenha recusado nomear “como uma vitória” a indicação da procuradora Fernanda Matias.

“Não é uma vitória, é a reposição da justiça. A fase nobre foi a de julgamento, onde foi produzida a prova e toda a verdade que envolveram estes factos. Relativamente ao Nuno Mendes, não tenho a menor dúvida que foi injustiçado”, afirmou, recusando pronunciar-se sobre um eventual pedido de indemnização.

Já o ex-oficial de ligação aos adeptos Bruno Jacinto, assumiu ter saído emocionado da sessão desta manhã e garantiu que o seu “amor ao Sporting é inquestionável” e que nunca falhou para com o clube.

É claro que é uma vitória. Ainda não é a vitória final, porque ainda não houve sentença, mas ouvir as palavras que ouvi da procuradora tirou-me um grande peso. Sempre estive de consciência tranquila no processo todo, mas não estava dependente de mim. Ouvir a procuradora dizer que estou absolvido de todos os crimes de que estou acusado é formidável”, frisou.

No entanto, Bruno Jacinto não deixou de se queixar de que este processo “mudou quase tudo” na sua vida, nomeadamente os “17 meses” em que se viu privado da liberdade, concluindo com a manifestação de “esperança” de que o coletivo de juízes acate o pedido do MP.

Nuno Mendes e Bruno Jacinto, juntamente com o ex-presidente do Sporting Bruno de Carvalho, estavam acusados da autoria moral de 40 crimes de ameaça gravada, 19 crimes de ofensas à integridade física qualificadas e por 38 crimes de sequestro.

O processo do ataque à Academia do clube, em Alcochete - onde, em 15 de maio de 2018, jogadores e equipa técnica do Sporting foram agredidos por adeptos ligados à claque ‘leonina' Juve Leo –, tem 44 arguidos, acusados de coautoria de 40 crimes de ameaça agravada, de 19 crimes de ofensa à integridade física qualificada e de 38 crimes de sequestro, todos estes (97 crimes) classificados como terrorismo.

Vânia Ramos / RL - atualizada às 14:43