A autópsia ao corpo de Valentina, a menina de 9 anos que morreu em Atouguia da Baleia, em Peniche, confirma houve agressões e violência, sabe a TVI24.

Segundo o resultado preliminar, a menina tem lesões na cabeça e indícios de asfixia. De acordo com fonte policial, embora haja indícios de asfixia, a criança de 9 anos terá sofrido agressões em vários locais, o que lhe causou diversas lesões.

Os resultados vêm assim confirmar a teoria da Polícia Judiciária de que a menina de nove anos foi morta em casa, num "contexto de violência" e não na sequência de um acidente, durante o dia de quarta-feira, tendo o corpo sido levado para a Serra d'El-Rei durante a noite do mesmo dia.

Estão, ainda, a ser feitos exames complementares, como, por exemplo, a deteção de algum tipo de medicamento que tenha sido administrado à criança, de modo a clarificar todas as circunstâncias que envolveram a morte da menor.

Os resultados de todos os exames que estão a ser realizados serão depois integrados no relatório final da autópsia que será enviado ao Ministério Público e que deverá estar concluído num prazo máximo de 60 dias.

Valentina foi dada como desaparecida na quinta-feira de manhã, depois de uma denúncia do pai no posto da GNR de Peniche.

As buscas contaram com o envolvimento de “mais de 600 elementos ativos, numa área percorrida de sensivelmente quase 4 mil hectares, palmilhada mais do que uma vez em alguns locais”, referiu o comandante da GNR de Caldas da Rainha, Diogo Morgado, numa conferência de imprensa, no domingo.

Entre estes elementos estiveram as valências do destacamento de Intervenção de Leiria e o grupo de intervenção cinotécnico (com cães treinados), de Lisboa, e a equipa de aeronaves remotamente pilotadas da GNR, a PSP, bombeiros, escuteiros e vários civis.

Depois de cerca de três dias de buscas, a PJ de Leiria deteve, no domingo, o pai e a madrasta da menina, cujo corpo foi encontrado numa mata na Serra D’el Rei, no concelho de Peniche, distrito de Leiria, coberto por arbustos.

Os dois suspeitos estiveram com os inspetores na casa onde o alegado homicídio terá acontecido e na mata para onde o corpo foi transportado, a reconstituir o alegado crime.

Sandro e Márcia Bernardo - acusados de homicídio qualificado e de ocultação de cadáver - deveriam ter sido ouvidos esta segunda-feira no tribunal de Leiria, mas o Ministério Público adiou o interrogatório pois quer ouvir os suspeitos depois de ter lido o relatório da autópsia ao corpo de Valentina. 

O interrogatório terá de ocorrer na manhã de terça-feira, tendo em conta que passam 48 horas da detenção dos dois suspeitos.

A autópsia da criança foi feita esta segunda-feira e o relatório preliminar poder-se-á juntar ao inquérito na terça-feira, sendo mais um contributo para confrontar os suspeitos sobre a forma como a criança morreu, admitiu a mesma fonte.

O relatório final da autópsia ainda deverá demorar mais algum tempo.

O crime de homicídio qualificado pode ir até à pena máxima em Portugal, ou seja, 25 anos. 

Redação / AM com Lusa - Notícia atualizada às 21:50