Morreu esta quarta-feira Gonçalo Ribeiro Telles, confirmou à agência Lusa fonte próxima da família. O arquiteto paisagista tinha 98 anos e ficou conhecido pela participação política, tendo sido presidente do Partido Popular Monárquico e um dos subscritores da Aliança Democrática, ao lado de Francisco Sá Carneiro e Diogo Freitas do Amaral.

O arquiteto, cuja carreira também se destacou na cidadania, ecologia e na política, faleceu durante a tarde, em casa, rodeado pela família.

Nascido a 25 de maio de 1922, em Lisboa, Gonçalo Ribeiro Telles é autor de projetos relevantes em Lisboa, como os Corredores Verdes e os jardins da Fundação Calouste Gulbenkian.

Ribeiro Telles licenciou-se em Engenharia Agrónoma e Arquitetura Paisagista, no Instituto Superior de Agronomia, em Lisboa, e iniciou a vida profissional na Câmara Municipal de Lisboa, onde trabalhou com Francisco Caldeira Cabral, com quem viria a publicar "A Árvore em Portugal".

Figura tutelar da defesa da ecologia para fundamentar a intervenção na paisagem e no território, Gonçalo Ribeiro Telles foi o responsável pelo lançamento da política de ambiente em Portugal, cuja legislação incentivou quando passou por vários cargos públicos, nomeadamente como ministro de Estado e da Qualidade de Vida, entre 1981 e 1983.

No plano político, participou nas campanhas eleitorais dos movimentos monárquicos populares e, antes do 25 de Abril, foi candidato nas listas da Comissão Eleitoral de Unidade Democrática (CEUD).

No plano cultural, foi um dos fundadores do Centro Nacional de Cultura (CNC).

Governo decreta um dia de luto nacional na quinta-feira

O Governo decidiu decretar um dia de luto nacional, na quinta-feira, pela morte do arquiteto paisagista e fundador do PPM (Partido Popular Monárquico), Gonçalo Ribeiro Telles, disse à agência Lusa fonte oficial do executivo.

O primeiro-ministro afirma que: “O país tem para com Gonçalo Ribeiro Telles uma enorme dívida de gratidão, quer no lançamento das bases da política ambiental em Portugal, quer no desenvolvimento de uma consciência ecológica. Sendo um homem à frente do seu tempo, as ideias que defendia há 50 anos e eram então consideradas utópicas, são hoje comummente aceites. A sua perda é inestimável. O seu legado, felizmente, perdura, e somos todos seus beneficiários".

Presidente da República emite nota de pesar

O Presidente da República emitiu uma nota de pesar através do site da Presidência. Marcelo Rebelo de Sousa destaca a luta de Gonçalo Ribeiro Telles pela democracia e liberdade.

Respeitado humana, profissional e politicamente por amigos, colegas e adversários, e pelos portugueses em geral, Gonçalo Ribeiro Telles deixa um legado alcançado por poucos", refere a nota.

O chefe de Estado frisou ainda a importância do arquiteto como ambientalista, destacando a contribuição para a Lei de Bases do Ambiente ou a Lei do Impacto Ambiental. 

António Guimarães / com Lusa