Um barco da Transtejo não saiu do cais do Seixal, em direção a Lisaboa, esta manhã, por excesso de lotação. Dezenas de utentes passaram os torniquetes na mesma e recusam-se a sair da embarcação, confirmou a TVI junto da Polícia Marítima.

"A Transtejo suprimiu uma série de carreiras, hoje há um barco, as pessoas acabam por não obedecer à regra da lotação e passaram os torniquetes para dentro. A embarcação não pode navegar", indicou a mesma fonte, pouco passava das 09:00.

Também o capitão do porto, Coelho Gil, deu depois a indicação de que "o barco que está a aguardar a largada porque tem excesso de lotação e o mestre da embarcação - e muito bem - não sai enquanto o navio tiver excesso de lotação".

Aguarda-se a chegada de uma segunda embarcação para dividir os utentes que estão num [barco], em dois, para permitir que o movimento dos barcos se volte. Tem havido falta de barcos e há acumular excessivo de pessoas na estação do Seixal, entraram demasiadas pessoas"

A Polícia Marítima diz ainda que não há desacatos a registar, mas que as pessoas estão a recusar-se a sair. O vídeo associado a este artigo evidencia como os ânimos estão exaltados.

Perto das 10:30, Marina Ferreira, presidente do conselho de administração da Transtejo, deu indicação à TVI24, por telefone, de que a circulação a essa hora já tinha sido retomada

Não há neste momento nenhum passageiro retido, para além do normal, no Seixal. Reforçámos a oferta no Barreiro com navio que retirámos de Cacilhas e permitiu que passageiros que estavam a aguardar pudessem vir para Lisboa, diminuindo também o esforço de lotação do navio S. Julião".

Questionada sobre se há falta de barcos para tanta gente, a mesma responsável respondeu assim: "Certamente. Nós temos os navios alocados às ligações. Infelizmente, no domingo houve uma avaria num dos navios que faz as ligações do Seixal. O navio já está em doca, a ser reparado, mas até lá esta ligação ficou penalizada, porque passou a ser feita só com um navio".

Câmara faz exigências ao Governo

A câmara do Seixal emitiu, entretanto, um comunicado, exigindo ao governo "que cumpra as reiteradas promessas e resolva com urgência os problemas nas ligações fluviais entre o Seixal e Lisboa que se têm arrastado ao longo dos últimos anos".

Hoje os utentes do transporte fluvial viveram mais um dia de caos, devido à supressão de diversas carreiras em ambos os sentidos, o que provocou a legítima indignação por parte dos passageiros e a intervenção por parte da Polícia Marítima, uma situação que se extremou e que poderia e deveria ter sido evitada. (...) Não é aceitável que continuem a ser diariamente suprimidas carreiras, prejudicando as populações".

O autarca Joaquim Santos, citado no comunicado frisa que "apesar das sucessivas promessas por parte do governo, pouco ou nada mudou no transporte fluvial". Acrescenta, ainda, que os passageiros "não podem continuar a ser prejudicados desta forma”. Afirma que, desde 2011, já foram suprimidas 16 carreiras diárias, e tem-se vindo "a acentuar o desinvestimento da empresa na manutenção e reforço da frota".

Apesar de em junho de 2017 o Ministério do Ambiente ter anunciado um investimento de 10 milhões de euros para o plano de manutenção da frota de navios da Transtejo e Soflusa, promessa que o governo reiterou em 2018. Onde está essa verba? De que forma está a ser utilizada? Porquê tantas avarias?”.

O presidente da câmara diz que voltou a solicitar uma reunião de urgência com o ministro do Ambiente.