Dois dos quatro arguidos detidos em Portugal ligados a uma rede criminosa de auxílio à imigração ilegal, que utilizava casamentos simulados para facilitar o plano ilícito, ficaram em prisão preventiva, informou esta terça-feira a Procuradoria-Geral Distrital de Lisboa.

Segundo adianta a Procuradoria-Geral Distrital de Lisboa (PGDL), a dois dos arguidos detidos em Portugal foi aplicada prisão preventiva, por se ter considerado "fortemente indiciados os perigos de continuação da atividade criminosa, de fuga e de perturbação do inquérito", enquanto os outros dois ficaram sujeitos às medidas de coação de apresentação periódica e de proibição de contactos com os outros intervenientes do processo.

Estes arguidos levados a primeiro interrogatório judicial estavam indiciados pelos crimes de associação criminosa, falsificação agravada de documento e auxílio à imigração ilegal.

De acordo com os indícios recolhidos pela investigação, desde pelo menos 2015 um grupo criminoso organizado recrutou dezenas de mulheres para casamentos simulados, organizando casamentos entre portugueses e paquistaneses, por forma a facilitar a imigração ilegal.

As mulheres portuguesas eram recrutadas para se casarem com homens paquistaneses que não conheciam. Em troca, as mulheres recebiam um pagamento em dinheiro de milhares de euros. Os casais viajavam, depois, para a Bélgica, onde as esposas eram contratadas por empresas belgas (supostamente falsas). Ao comprar ações nas empresas, os maridos podiam permanecer na União Europeia, obter autorizações de residência e depois lucrar ilegalmente com benefícios sociais e outros", indica a PGDL.

Além disso - prossegue a PGDL - as ações das firmas eram posteriormente transferidas entre as esposas, permitindo que novos recrutas se tornassem sócios das empresas.

As mulheres, geralmente, regressavam a Portugal e, ocasionalmente, viajavam de novo para a Bélgica para verificações policiais e de imigração.

Devido à natureza internacional do crime, foi criada uma equipa de investigação conjunta (JIT) dos dois países, que culminou numa ação realizada simultaneamente em Portugal e na Bélgica.

No total, foram realizadas 18 buscas domiciliárias na Bélgica e oito em Portugal, tendo sido apreendidos dezenas de documentos, equipamento informático e dinheiro.

Em Portugal, a investigação prossegue sob a direção do Ministério Público na 1.ª secção do Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Loures/Comarca de Lisboa Norte.

O Ministério Público é coadjuvado pelo Serviço de Imigração e Fronteiras (SEF), com o apoio ativo da Eurojust e da Europol.