O primeiro radar meteorológico do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) nos Açores foi hoje inaugurado, na ilha Terceira, com um alerta para a necessidade de instalação de outros dois no arquipélago.

“É um grande dia, mas é o primeiro dos três grandes dias que eu quero ter aqui, porque para que seja completa a capacidade de observação nesta região do Atlântico nós precisamos de mais dois radares do mesmo tipo, um no grupo oriental, outro no grupo ocidental”, afirmou o presidente do IPMA, Jorge Miguel Miranda, na cerimónia de inauguração.

Os Açores eram a única região do país sem cobertura por radar meteorológico e há vários anos que as autoridades regionais reivindicavam este equipamento.

A Força Aérea norte-americana detinha um radar meteorológico na ilha Terceira, mas decidiu desativá-lo, em 2016, na sequência de um processo de redução militar na base das Lajes, localizada na mesma ilha.

O radar agora instalado na Serra de Santa Bárbara, ponto mais alto da ilha Terceira, no grupo central do arquipélago, aproveitou a torre do equipamento norte-americano, cedida no final de 2017, após negociações com o executivo dos Estados Unidos.

Com um custo de cerca de 1,8 milhões de euros (com IVA incluído), o radar tinha sido anunciado para 2018 e 2019, mas só este ano obteve visto do Tribunal de Contas.

Na cerimónia de inauguração, o presidente do IPMA disse que este era “um primeiro passo” de uma “longa reivindicação regional e nacional".

“O IPMA faz parte do Ministério do Mar e não é de mais chamar à atenção que a nossa capacidade de observação da atmosfera sobre o mar é também muito relevante até para a segurança da navegação e para a segurança das operações sobre o mar”, frisou.

Segundo Jorge Miguel Miranda, a infraestrutura já está “operacional” e “a fornecer dados de forma contínua”.

O presidente do IPMA alertou para o impacto das alterações climáticas e para as responsabilidades crescentes do instituto para a segurança dos Açores e não só.

“Estamos no sítio em que começou a meteorologia europeia. Foi aqui que ela começou e é aqui que ela se vai afirmar. Temos obrigações no Atlântico e temos de estar à altura das obrigações que temos”, frisou.

Também o presidente do Governo Regional dos Açores, Vasco Cordeiro, lançou um apelo para que este radar não seja “um caso único”.

“Os trabalhos já estão a decorrer em relação à instalação em São Miguel. Os votos que aqui faço, à sombra deste bom exemplo de capacidade de concretização, é que também naquilo que tem a ver com os dois restantes radares seja possível rapidamente proceder à sua instalação”, adiantou.

O chefe do executivo açoriano realçou a importância deste equipamento “na proteção da vida e na segurança de pessoas e bens”, recordando a passagem recente do furacão Lorenzo pelo arquipélago, entre outras intempéries.

“Por muito que custe este investimento, será sempre muito mais barato do que os danos que possam ocorrer em infraestruturas, como ainda recentemente tivemos bem esse exemplo e temos tido ao longo dos tempos, quer em termos de infraestruturas, quer em termos de vidas”, sublinhou.

Em resposta, o ministro do Mar, Ricardo Serrão Santos, admitiu que a instalação do radar da Serra de Santa Bárbara “levou mais tempo do que era devido”, mas prometeu “empenho” na instalação dos restantes equipamentos.

“Acreditem que me empenharei com o IPMA, com o Governo Regional dos Açores, com todos os setores relevantes neste processo, para levar a termo a instalação dos outros dois radares”, avançou.

O ministro destacou a importância da instalação de equipamentos que permitem “antecipar, com maior grau de fiabilidade, as previsões meteorológicas” e defendeu que as alterações climáticas impelem os responsáveis políticos a “reforçar a rede de observação” meteorológica.

“Estima-se que cada grau de aumento da temperatura média da terra e do oceano corresponderá a cerca de 4% de aumento do impacto de furacões do Atlântico”, alertou.

/ BC