O Tribunal de Vila Real condenou, esta segunda-feira, à pena máxima de 25 anos de cadeia Sónia Mendes, por instigar um homicídio, e ainda Miguel Brito a 20 anos, por matar um jovem, cujo corpo os dois queimaram e enterraram num quintal em Chaves.

Apesar de ter sido provado que foi Miguel Brito, de 19 anos, a matar Tiago Gonçalves, de 14 anos, o tribunal considerou que foi Sónia Mendes, de 31 anos, a mandante do crime, tendo instigado o arguido que acabou por estrangular com um cinto o rapaz.

Os dois mantinham, à altura dos factos, um relacionamento extraconjugal.

O tribunal condenou ainda os dois arguidos a pagar uma indemnizaçao de 122 mil euros à família da vítima.

Sónia e Miguel foram ainda condenados pelos crimes de roubo, furto, incêndio, ocultação e profanação de cadáver.

Os arguidos foram condenados pelos crimes de roubo, furto, incêndio, homicídio qualificado, ocultação e profanação de cadáver. A pena única aplicada a Sónia Mendes foi de 25 anos e a Miguel Brito de 20 anos de prisão.

O julgamento começou no dia 07 de novembro e, na primeira sessão, Miguel Brito confessou todos os crimes, mas disse ter sido instigado pela arguida a cometer o homicídio do jovem de quem era amigo.

Por sua vez, Sónia Mendes desmentiu ter tido qualquer intervenção na morte do jovem, confessando os crimes de furto e de profanação e ocultação de cadáver.

O coletivo de juízes considerou que a arguida fria, calculista, manipuladora e que houve premeditação da sua parte, e que, por isso, devia ser condenada a uma pena exemplar.

Quanto ao arguido, o tribunal classificou-o como um homem violento, mas considerou que não houve premeditação da sua parte no crime de homicídio e que resistiu até à altura dos acontecimentos, em novembro de 2015. O cadáver foi descoberto cerca de um mês depois.

Na aplicação da pena, o tribunal teve em conta que Miguel Brito confessou os crimes e mostrou arrependimento, mas o juiz presidente salientou a gravidade do crime porque foi cometido contra uma pessoa indefesa e lembrou que Tiago não “esboçou qualquer defesa”.

Miguel Brito esmurrou, bateu na vítima com uma frigideira e ainda o estrangulou com um cinto.

O juiz considerou ainda que o crime foi praticado por um “motivo fútil”, porque a vítima ameaçou contar à polícia os casos de roubo e ao marido de Sónia o caso extraconjugal que ela mantinha com Miguel Brito.

O juiz presidente mostrou-se “chocado” com a manipulação que os arguidos fizeram do cadáver que foi escondido debaixo de um colchão, depois queimado numa banheira e, por fim, enterrado num quintal.

Nestes atos de profanação e ocultação do cadáver esteve presente a filha menor da arguida, uma situação que deixou também o juiz “chocado”.

Na leitura do acórdão, foi ainda recordado o passado familiar complicado do arguido bem como a condenação do seu irmão, também pelo crime de homicídio, num caso que aconteceu na Régua e em que também uma jovem foi enterrada junto ao rio Douro.