Os oito jovens marroquinos que desembarcaram na quarta-feira numa praia do Algarve e que Portugal aceitou acolher por motivos humanitários deixaram esta quinta-feira Vila Real de Santo António rumo a Lisboa, cerca das 17:00, disse o empresário que os hospedou.

Eles estiveram aqui todos sentados na receção e saíram daqui cerca das 17:00”, disse à Lusa Luís Camarada, proprietário da hospedaria Coração da Cidade, na qual ficaram instalados, assegurando que “tudo correu bem” durante a sua estadia.

A mesma fonte estranhou, no entanto, a particularidade de “nenhum falar francês ou espanhol, como habitualmente os marroquinos fazem”.

Os jovens desembarcaram na manhã de quarta-feira na praia de Monte Gordo, no concelho de Vila Real de Santo António, cerca de 50 quilómetros a este de Faro, tendo sido intercetados nas dunas pela Polícia Marítima.

Os rapazes, com idades entre os 16 e os 26 anos, passaram depois para a guarda do Serviço de Estrangeiros (SEF), acabando por pernoitar e passar parte do dia de hoje naquela hospedaria de Vila Real de Santo António.

Após terem sido intercetados, os jovens, foram conduzidos pela Polícia Marítima para o capitania do porto local e depois transportados para o Centro de Cooperação Policial e Aduaneira Castro Marim/Ayamonte, onde o SEF os estabilizou, alimentou e informou sobre as suas possibilidades legais em Portugal.

Na quarta-feira ao início da noite a diretora nacional do SEF, Cristina Gatões, adiantou que Portugal poderia acolher o grupo ao abrigo do quadro de proteção internacional habitualmente aplicado a outros estrangeiros resgatados do mar Mediterrâneo.

À semelhança de outros que chegaram a Portugal, ser-lhes-á assegurado o seu pedido, registado o seu pedido, ser-lhes-á providenciada documentação que comprova que esse pedido está em análise e ser-lhe-ão garantidas assistência médicas e todas as condições”, como “alojamento e meios de subsistência”, disse.

Na manhã desta quinta-feira, o SEF anunciou que Portugal ia acolher o grupo de jovens marroquinos, ao abrigo desse quadro de proteção internacional aplicado a outros estrangeiros resgatados no Mediterrâneo e que chegaram ao país provenientes de países como Itália ou Malta.

A mesma fonte esclareceu na ocasião que todo o grupo tinha requerido durante a madrugada “esse estatuto de proteção” e, após ter pernoitado em Vila Real de Santo António, seria transferido para Lisboa, para o Centro Português para o Refugiado, ainda durante o dia de hoje.

Ao abrigo do quadro de proteção internacional aplicado noutros casos de estrangeiros resgatados no Mediterrâneo, Portugal vai acolher os oito jovens que, esta quarta-feira, desembarcaram numa praia do Algarve, depois de estes terem requerido esta madrugada esse estatuto de proteção", refere a nota enviada à comunicação social.

 

O grupo, composto por jovens com idades entre os 16 e 26 anos, e de nacionalidade marroquina, pernoitou em Vila Real de Santo António e será hoje transferido para Lisboa, para o Centro Português para o Refugiado. À semelhança de outros que chegaram a Portugal, ser-lhes-á assegurado e registado o seu pedido, e ser-lhes-á providenciada documentação que comprova o período de análise, para que, durante esse tempo, lhes possa ser garantida assistência médica, educação, alojamento e meios de subsistência", acrescenta ainda a mesma nota do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras.

Em declarações aos jornalistas no Centro de Cooperação Policial e Aduaneira Castro Marim/Ayamonte (Espanha), a diretora do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF), Cristina Gatões, garantiu na quarta-feira que os oito jovens “estão bem” e explicou que a preocupação inicial das autoridades foi tratar do seu estado de saúde. 

Estes jovens chegaram numa embarcação frágil à costa portuguesa por volta das 10:30 da manhã, foram recolhidos pela Polícia Marítima, que entretanto entrou em contacto com o SEF, e desde essa altura que a nossa preocupação tem estado a ser estabilizá-los, estiveram a ser alimentados, hidratados”, disse a diretora nacional do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras.

Cristina Gatões disse ontem que, a meio da tarde, o grupo fora transferido da capitania de Real de Santo António, à guarda do SEF, para o Centro policial da fronteira luso-espanhola entre o Algarve e Andaluzia, onde permaneceriam até que as autoridades percebessem as circunstâncias em que os jovens chegaram e as suas intenções.

A diretora do SEF adiantava que se estava a trabalhar com estes jovens “num quadro de cooperação internacional".

Os jovens, todos rapazes, foram intercetados "escondidos nas dunas" da praia de Monte Gordo, depois de um alerta de populares, não "aparentando requerer cuidados especiais" e dizendo apenas que tinham fome, indicou na quarta-feira fonte da capitania da Polícia Marítima de Vila Real de Santo António.

De acordo com a fonte, os jovens alegam que provêm da cidade de El Jadida, em Marrocos, e que estiveram durante cinco dias no mar até desembarcarem naquela praia do distrito de Faro.