O ex-autarca António Capucho e a atual vereadora da Câmara de Lisboa Catarina Vaz Pinto foram nomeados para o conselho de administração da Fundação de Arte Moderna e Contemporânea - Coleção Berardo, publica esta sexta-feira o Diário da República.

De acordo com o despacho n.º 835/2017 do Diário da República, que designa os membros do conselho de administração da Fundação Coleção Berardo por parte do Estado, é também nomeado Elísio Summavielle, presidente da Fundação Centro Cultural de Belém.

Nos termos dos estatutos da Fundação Coleção Berardo, um dos membros do conselho de administração tem obrigatoriamente de ser membro do conselho de administração da Fundação Centro Cultural de Belém e Elísio Summavielle tinha sido nomeado em fevereiro do ano passado para o cargo, em substituição de António Lamas.

Ainda de acordo com os estatutos, o conselho de administração da fundação é composto por cinco membros, sendo dois designados pelo membro do Governo responsável pela área da cultura, dois nomeados pelo colecionador José Berardo, que preside, e um designado por acordo entre as partes.

Catarina Vaz Pinto foi o membro designado por comum acordo entre o ministro da Cultura, Luís Filipe Castro Mendes, e o colecionador José Berardo, e António Capucho foi escolhido pela tutela.

Contactada pela agência Lusa sobre as substituições no conselho de administração da fundação, fonte do gabinete do ministro da Cultura precisou que Catarina Vaz Pinto vai substituir Fernando Seara, anterior vogal escolhido por ambas as partes, e António Capucho irá substituir Patrícia Salvação Barreto, anterior membro nomeado pelo Governo.

Nos representantes de José Berardo, presidente da Fundação Coleção Berardo, mantêm-se o filho, Renato Berardo, e o advogado André Luiz Gomes.

António Capucho, que se filiou no PSD em 1974 e ocupou vários cargos no partido, foi eleito presidente da Câmara Municipal de Cascais para os mandatos de 2001, 2005 e 2009, tendo renunciado em 2011.

Capucho foi deputado na Assembleia da República, ocupou cargos no Governo e foi vice-presidente do Parlamento Europeu, tendo pertencido ainda ao Conselho de Estado (entre 2002-2004 e 2008-2011).

Em 2014 foi expulso do PSD, depois de ter apoiado uma lista independente à Câmara Municipal de Sintra, "Sintrenses com Marco Almeida", tendo sido eleito deputado municipal naquele município.

Catarina Vaz Pinto é vereadora da Cultura da Câmara Municipal de Lisboa desde 2009, consultora cultural, e foi coordenadora executiva do Programa Gulbenkian Criatividade e Criação Artística/Fundação Calouste Gulbenkian (2003-2007).

A atual vereadora foi secretária de Estado da Cultura entre 1997 e 2000, e adjunta do ministro da Cultura Manuel Maria Carrilho (1995-1997).

Os mandatos dos vogais nomeados são de quatro anos, com início a 01 de janeiro de 2017.

Em novembro do ano passado, o Governo e o colecionador assinaram uma adenda ao acordo firmado em 2006 para a criação do museu, e cuja validade terminava no final de 2016.

No documento, ambas as partes concordaram em manter o museu no Centro Cultural de Belém (CCB), por mais seis anos renováveis, alterando algumas normas, nomeadamente o pagamento das entradas, o apoio financeiro definido bienalmente, e a atualização dos espaços ocupados pelo museu, que aumentaram desde 2006.

O Museu Berardo abriu em junho de 2007 com um acervo inicial de 862 obras da coleção de arte do empresário, avaliadas um ano antes em 316 milhões de euros pela leiloeira internacional Christie's.

Ao fim de nove anos de funcionamento, o museu recebeu mais de seis milhões de visitantes das exposições permanentes e temporárias, segundo dados estatísticos do museu.

Redação / AR