O conselho de administração do grupo Lusíadas Saúde anunciou, esta quarta-feira, que está a “analisar opções para a cessação das atuais convenções existentes” com o subsistema público de saúde da ADSE.

“Oconselho de administração do grupo Lusíadas Saúde está a analisar opções para a cessação das atuais convenções existentes com a ADSE, por considerar que o imperativo de garantia de qualidade e segurança clínica dos seus clientes (beneficiários desse subsistema público) poderá vir a ser sistemicamente afetado com as regras e procedimentos atualmente vigentes”, refere o grupo em comunicado.

Segundo o documento, em causa estão as regularizações 'a posteriori' e a definição da tabela de preços.

A regularização dos preços dos atos médicos 'a posteriori' (mais de dois anos depois nos casos atuais em discussão) por parte da ADSE, sem ter em linha de conta o tratamento e atos prestados a cada cliente, de acordo com as suas necessidades específicas, e sem que o grupo Lusíadas Saúde possa ter conhecimento dos elementos comparadores que pudessem justificar tal redução”, salienta.

Já em relação à tabela de preços, o grupo refere que existe uma tabela “desajustada da realidade atual”.

Tratam-se de valores incompatíveis com os padrões de segurança e qualidade com que alinhamos a nossa prestação de serviços e com o nível de experiência que fazemos questão de garantir a todos os clientes que nos procuram, incluindo os beneficiários da ADSE”, frisa o comunicado.

O grupo Lusíadas Saúde salienta que no contexto de cessação das atuais convenções, e depois de diversas reuniões internas com as suas unidades operacionais e respetivas direções clínicas, vai assegurar “o adequado acompanhamento e tratamento aos clientes” da ADSE que se encontrem a ser assistidos nas unidades do grupo e que criará uma “tabela própria para que os mesmos beneficiários possam aceder” às unidades de saúde, podendo depois “pedir o reembolso à ADSE em regime livre”.

O Grupo Lusíadas Saúde continua a manter-se, no entanto, totalmente disponível para a construção de soluções de parceria que garantam um compromisso justo, equilibrado, seguro, previsível e sustentável para todos os intervenientes, passível de garantir, acima de tudo, a qualidade dos atos e a segurança clínica para os clientes das suas unidades de saúde”, explica.

O documento diz ainda que após a análise do conteúdo contratual das convenções em vigor, serão comunicados às partes os procedimentos operacionais relevantes, em especial “quanto aos prazos da cessação das convenções e consequente cessação da marcação de atos em regime convencionado”.

A Lusíadas Saúde tem uma rede de 12 hospitais e clínicas de norte a sul do país.

A ADSE tem estado no centro da atenção mediática e política nos últimos dias, com a suspensão de convenções por parte de dois grupos, a José de Mello Saúde (que gere os hospitais CUF) e o Grupo Luz Saúde.