A Inspeção-Geral das Atividades em Saúde (IGAS) refutou as acusações da Ordem dos Enfermeiros (OE) de que inspetores tinham entrado "sem mandado" nas instalações da OE e "retido ilegalmente uma funcionária".

Num comunicado enviado à agência Lusa, a IGAS faz o relato do que se passou esta segunda-feira de manhã nas instalações da Ordem dos Enfermeiros, onde uma equipa de inspetores, acompanhada pela PSP, prosseguiu diligências de instrução no âmbito da sindicância à Ordem dos Enfermeiros ordenada pela ministra da Saúde.

A fim de repor a verdade", a IGAS esclarece que, "cerca das 12:20, os inspetores sindicantes estavam a tomar declarações a uma trabalhadora da Ordem dos Enfermeiros, no seu próprio gabinete de trabalho", diligência que estava a ser "desenvolvida dentro da normalidade e com uma postura colaborante e tranquila por parte da trabalhadora", quando a bastonária da OE, Ana Rita Cavaco, entrou na sala "aos gritos".

Segundo a IGAS, "a bastonária da OE, acompanhada por um cão preto sem trela, entrou nas instalações aos gritos ordenando à trabalhadora em causa que saísse da sala, impedindo-a de continuar a diligência".

Do mesmo passo, pontapeou a porta da sala e proferiu imputações e expressões injuriosas contra os inspetores ali presentes e puxou a trabalhadora para o exterior do gabinete, impedindo a prossecução da ação, o que ditou a elaboração do competente auto de notícia", refere o comunicado.

A IGAS reitera que, nos termos da lei, "os dirigentes dos serviços de inspeção e o pessoal de inspeção gozam do direito de acesso e livre-trânsito, pelo tempo e no horário necessários ao desempenho das suas funções, em todos os serviço e instalações das entidades públicas e privadas sujeitas ao exercício das suas atribuições, possuindo os dirigentes e trabalhadores das entidades inspecionadas o dever de prestar, no prazo fixado para o efeito, todos os esclarecimentos, pareceres, informações e colaboração que lhes sejam solicitados pelos serviços de inspeção".

Lembra ainda que a sindicância consiste numa indagação às entidades quando existem sérios indícios de ilegalidades de atos de órgãos e serviços que, pelo seu volume e gravidade, não devam ser averiguados no âmbito de inquérito.

Segundo a OE, os inspetores entraram nas instalações da ordem, deslocaram-se até à sala de trabalho da funcionária e obrigaram-na a permanecer para prestar declarações sobre o processo de sindicância em curso, sem qualquer tipo de notificação, o que, afirma a OE, pode "configurar um sequestro e trata-se de mais uma violação da legalidade neste processo de sindicância já repleto de atropelos à lei".

Na sequência desta situação, a bastonária da OE e o advogado que representa a instituição, Paulo Graça, foram à direção nacional da PSP contar o sucedido a um "representante do diretor nacional" daquela polícia.

A sindicância à OE, determinada pela ministra da Saúde e realizada pela Inspeção-geral das Atividades em Saúde começou no final de abril, com Ana Rita Cavaco a manifestar desde o início dúvidas sobre a legalidade da inspeção.