O Governo determinou esta sexta-feira a declaração de situação de alerta em 14 distritos de Portugal continental por causa das previsões meteorológicas para os próximos dias, que apontam para um agravamento do risco de incêndio.

Em comunicado conjunto dos ministérios da Administração Interna, do Ambiente e da Ação Climática e da Agricultura é explicado que a situação de alerta começa às 12:00 de hoje e prolonga-se até segunda-feira.

A declaração surge na sequência da determinação, pela Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), do estado de Alerta Especial de nível laranja para os distritos de Beja, Bragança, Castelo Branco, Coimbra, Évora, Faro, Guarda, Leiria, Lisboa, Portalegre, Santarém, Setúbal, Vila Real e Viseu.

Esta declaração “decorre da necessidade de adotar medidas preventivas e especiais de reação face ao risco de incêndio previsto pelo IPMA [Instituto Português do Mar e da Atmosfera] na maioria dos concelhos do continente nos próximos dias, explica o comunicado.

Na nota, o gabinete do ministro da Administração Interna acrescenta que a declaração da situação de alerta implica a elevação do grau de prontidão e resposta operacional por parte da Guarda Nacional Republicana (GNR) e da Polícia de Segurança Pública (PSP), com reforço de meios para operações de vigilância, fiscalização, patrulhamentos dissuasores de comportamentos e de apoio geral às operações de proteção e socorro que possam vir a ser desencadeadas.

Para tal, considera-se “autorizada a interrupção da licença de férias e a suspensão de folgas e períodos de descanso”, sublinha.

Implica ainda o aumento do grau de prontidão e mobilização de equipas de emergência médica, saúde pública e apoio psicossocial, a mobilização em permanência das equipas de Sapadores Florestais, do Corpo Nacional de Agentes Florestais e dos Vigilantes da Natureza que integram o dispositivo de prevenção e combate a incêndios.

Está igualmente prevista a realização, pela GNR, de ações de patrulhamento (vigilância) e fiscalização de aérea através de meios das Forças Armadas, nos distritos em estado de alerta especial, “incidindo nos locais sinalizados com um risco de incêndio muito elevado e máximo”.

A declaração de situação de alerta implica ainda a dispensa de serviço ou a justificação das faltas dos trabalhadores, do setor público ou privado, que desempenhem cumulativamente as funções de bombeiro voluntário, salvo aqueles que desempenhem funções em serviço público de prestação de cuidados de saúde em situações de emergência.

No âmbito da declaração da situação de alerta, prevista na Lei de Bases de Proteção Civil, serão aplicadas diversas medidas de caráter excecional, entre elas a proibição do acesso, circulação e permanência no interior dos espaços florestais previamente definidos nos planos municipais de defesa da floresta contra incêndios, bem como nos caminhos florestais, caminhos rurais e outras vias que os atravessem;

Está ainda proibida a realização de queimadas e queimas de sobrantes de exploração, de trabalhos nos espaços florestais com recurso a qualquer tipo de maquinaria, com exceção dos associados ao combate a incêndios rurais, e de “trabalhos nos demais espaços rurais com recurso a motorroçadoras de lâminas ou discos metálicos, corta-matos, destroçadores e máquinas com lâminas ou pá frontal”.

A utilização de fogo-de-artifício ou outros artefactos pirotécnicos está também proibida e serão suspensas as autorizações que tenham sido emitidas nos distritos onde tenha sido declarado o estado de alerta especial de Nível Laranja pela ANEPC.

O comunicado informa ainda que a proibição não abrange os trabalhos associados à alimentação e abeberamento de animais, ao tratamento fitossanitário ou de fertilização, regas, podas, colheita e transporte de culturas agrícolas, desde que sejam de caráter essencial e inadiável e se desenvolvam em zonas de regadio ou desprovidas de florestas, matas ou materiais inflamáveis.

Também não inclui a extração de cortiça por métodos manuais e a extração de mel, desde que realizada sem recurso a métodos de fumigação obtidos por material incandescente ou gerador de temperatura.

Os trabalhos de construção civil, desde que inadiáveis e que sejam adotadas as adequadas medidas de mitigação de risco de incêndio rural, também estão permitidos.

A par da emissão de avisos à população pela ANEPC sobre o perigo de incêndio rural, as Forças Armadas - através do Ministério da Defesa Nacional - devem disponibilizar os meios aéreos para, em caso de necessidade, estarem operacionais nos locais a determinar pela proteção civil, acrescenta o documento.

 

Mais de 70 concelhos do interior Norte e Centro e do Algarve em risco máximo

Mais de 70 concelhos do interior Norte e Centro e do Algarve apresentam um risco máximo de incêndio, segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), que colocou seis distritos sob aviso laranja por causa do tempo quente.

Em risco muito elevado de incêndio estão quase cinco dezenas de municípios nos distritos de Viana do Castelo, Bragança, Vila Real, Braga, Porto, Aveiro, Viseu, Coimbra, Castelo Branco, Leiria, Santarém, Portalegre, Beja e Faro.

O IPMA colocou ainda em risco elevado quase toda a região do Alentejo e outros cerca de 50 concelhos dos distritos de Viana do Castelo, Porto, Braga, Vila Real, Aveiro, Coimbra, Viseu, Leiria, Santarém, Lisboa, Setúbal e Faro.

O restante território apresenta um risco moderado e reduzido, consoante a região.

Para sábado, está previsto que mais concelhos do país fiquem em alerta máximo, segundo a previsão do IPMA.

O risco de incêndio determinado pelo IPMA tem cinco níveis, que vão de reduzido a máximo.

Os cálculos são obtidos a partir da temperatura do ar, humidade relativa, velocidade do vento e quantidade de precipitação nas últimas 24 horas.

O período crítico de incêndios dura até final de setembro e, até lá, é proibido fazer queimadas extensivas ou queima de amontoados sem autorização, usar fogareiros ou grelhadores em todo o espaço rural, e fumar ou fazer qualquer tipo de lume nos espaços florestais.

É proibido ainda lançar balões de mecha acesa ou foguetes ou fazer trabalhos na floresta que possam originar faíscas.

Por causa do elevado de risco de incêndio, a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) determinou o reforço de meios e um pré-posicionamento nas regiões do Algarve, Centro e Norte.

Já o IPMA, colocou sob aviso laranja (o segundo mais grave) por causa do tempo quente os distritos de Bragança, Guarda, Castelo Branco, Portalegre, Évora e Beja.

O IPMA prevê em Portugal continental uma subida da temperatura mínima na região Sul, mais significativa no Algarve, e uma subida da temperatura máxima, mais significativa nas regiões Centro e Sul.

As temperaturas máximas vão variar entre os 23º (Porto) e os 42º (Évora) e as mínimas entre os 15º (Viana do Castelo, Porto, Aveiro, Coimbra e Leiria) e os 23º (Faro)

Agência Lusa / HCL