Mais de uma centena de trabalhadores da STCP manifestaram-se esta sexta-feira na estação de recolha da Via Norte, no Porto, num protesto que foi marcado por tensões elevadas com a Polícia de Segurança Pública durante a madrugada.

O protesto surge na sequência da greve convocada para esta sexta-feira e que deverá ocorrer durante os dias 20, 26 e 27 de agosto.

Os primeiros incidentes terão começado perto das 00:00 junto à estação de autocarros de Francos, tendo a PSP deslocado ao local equipas da Brigada de Intervenção Rápida e do Corpo de Intervenção.

Motoristas em manifestação terão barrado a saída a colegas que pretenderiam trabalhar e, já cerca da 01:00, foram apedrejados quatro autocarros.

Uma das pedras fez ricochete e atingiu um agente da PSP, que recebeu tratamento hospitalar, mas já teve alta”, disse a fonte policial, explicando que o incidente foi sanado sem recurso à força, apenas pela persuasão.

Uma segunda vaga de incidentes, menos gravosos, registou-se já cerca das 05:30, desta feita na estação de recolha da Via Norte.

As estruturas representativas dos trabalhadores da Sociedade de Transportes Coletivos do Porto (STCP), a operadora de transportes urbanos do Grande Porto, convocaram para esta sexta uma greve em apoio de aumentos salariais e melhores condições de trabalho.

Imagens obtidas pela TVI mostram como a PSP foi forçada a intervir face a uma maior pressão dos manifestantes que, de acordo com um dos sindicatos presente, ocorreu porque os trabalhadores foram impedidos de utilizar as casas de banho das instalações da empresa.

Os trabalhadores que estavam em greve vieram para o pé das instalações e necessitavam de ir às casas de banho e isso nunca lhes foi impedido e, hoje, o Conselho de Administração decidiu impedir os trabalhadores de entrar pelas portas. A polícia pensou que eles iam bloquear os carros, mas ninguém quis impedir os veículos de sair", disse um representante sindical à TVI.

Um dos grevistas que participava na manifestação durante a manhã disse que foi ferido durante um alegado confronto com a polícia durante a noite, altura em que vários trabalhadores dirigiram insultos aos motoristas que saiam em viagem das instalações da STCP.

Perto das 10:00 horas, cerca de 150 trabalhadores estavam reunidos no mesmo local, muitos desde a meia-noite, a protestar contra o aumento de 15 euros proposto pelo Conselho de Administração e que mereceu um voto favorável da maior parte dos sindicatos à revelia dos empregados.

Um manifestante que não quis ser identificado disse que se sentia "enganado" pela posição dos sindicatos.

Dos trezentos trabalhadores reunidos em plenário, 95% decidiram que a forma a seguir era ir à luta e que não aceitavam o aumento de 15 euros. Apenas um dos sindicatos se colocou ao lado dos trabalhadores. Os outros todos já tinham assinado e ficaram contra nós", disse, apoiado por vários outros que admitiram um sentimento de abandonado.

Um dos grevistas revelou que os trabalhadores não têm aumentos há doze anos e sublinhou que as condições de trabalho estão cada vez mais precárias. Em testemunho, diz que há motoristas com serviços que começam às 10:00 da manhã e se prolongam até às 21:00.

Temos gente trabalhadora a ganhar menos do que o ordenado mínimo e nós, para levarmos alguma coisa, temos de andar a fazer horas extra", sentencia o homem.

A STCP não está a funcionar com serviços mínimos garantidos durante esta sexta-feira, sendo que o mesmo poderá não vir a acontecer nos próximos dias de greve.