Portugal ultrapassou, pela primeira vez, a barreira dos 2.000 casos diários e a ministra da Saúde, Marta Temido, avisou, nesta quarta-feira, que o cenário vai piorar e muito nos próximos dias, podendo ultrapassar os 3.000.

Estamos numa situação crescente, que se vai agravar nos próximos dias, de acordo com os modelos matemáticos. (...) Estes modelos apontam para um crescimento que pode ultrapassar os 3.000 casos dentro de alguns dias, se não tivermos a cautela necessária", assumiu a governante, na conferência de balanço da situação epidemiológica no país.

Marta Temido sublinhou, porém, que os modelos matemáticos, calculados pelo Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge, também se alteram consoante as "medidas coletivas que possamos tomar", enquanto governo, organizações e indivíduos, apelando, por isso, ao empenho dos portugueses no "cumprimento" das medidas individuais de proteção e distanciamento social.

Os modelos matemáticos não têm capacidade de prever alterações que decorrem das medidas que estamos a tomar", sublinhou a ministra, referindo-se ao anúncio de hoje do conselho de ministros, de que Portugal elevou o nível de alerta para situação de calamidade, o que obriga ao cumprimento de novas medidas de combate à propagação da doença, como o uso de máscara na rua ou a proibição de ajuntamentos com mais de cinco pessoas.

Atualmente, "há 396 surtos ativos" no país, a maioria com "padrão familiar", e o risco efetivo de transmissão, calculado pelo Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge, tendo por base a semana de 5 a 9 de outubro, subiu "para 1,2", assinalou, ainda, Marta Temido.

Todos aqueles que têm a aspiração de fazer as suas vidas, regressarem à normalidade, é importante terem presente que a doença não desapareceu e que só juntos poderemos enfrentar esta nova fase de crescimento e dar resposta a esta prova muito dura. Depende de todos estarmos à altura", insistiu, dirigindo-se, sobretudo, às faixas etárias entre os 20 e os 49 anos.

 

Catarina Machado