A escritora Maria Alberta Menéres, de 88 anos, morreu esta segunda-feira, ao final da tarde, em Lisboa, na sua residência, disse à Lusa, a sua filha Eugénia de Mello e Castro.

O velório vai decorrer na Basílica da Estrela, em Lisboa, a partir das 18:00 de terça-feira, disse à Lusa a filha Eugénia de Mello e Castro.

A missa de corpo presente vai ter lugar no mesmo local, na quarta-feira, às 13:00, seguindo depois para o Cemitério das Olaias, onde será cremada.

A escritora nasceu em Vila Nova de Gaia, a 25 de agosto de 1930.

Autora de mais de 100 livros infantojuvenis e criadora do Pirilampo Mágico

Autora de obras e coletâneas como "O Poema Disse ao Poema" e "O Poeta Faz-se aos Dez Anos", dirigiu, durante mais de uma década, de 1974 a 1986, o Departamento de Programas Infantis e Juvenis da RTP.

A escritora é autora de mais de 100 livros infantojuvenis, e foi a criadora do conceito "Pirilampo Mágico".

Entre as suas obras infantojuvenis, destaca-se “Ulisses”, editada pela primeira vez em 1970, que conta já 45 edições, e do qual vendeu mais de um milhão de exemplares.

Maria Alberta Menéres foi autora, com Natércia Rocha e Carlos Correia, da coleção “1001 Detectives”, da qual se editaram 16 títulos, entre 1987 e 1993.

Criadora do conceito "Pirilampo Mágico", a convite de José Manuel Nunes, da RDP/Antena 1, foi autora durante seis anos das letras das canções dessa campanha solidária, que dura até hoje.

Na área da comunicação social, de 1974 a 1986 foi diretora do Departamento de Programas Infantis e Juvenis da Radiotelevisão Portuguesa, tendo sido autora e produtora de muitos programas televisivos para crianças e jovens, uma vez que, nessa época, como afirmou numa entrevista, "quem comandava também criava".

Colaborou com vários jornais e revistas, designadamente, Diário de Notícias, Távola Redonda, Cadernos do Meio Dia e o Diário Popular, no qual coordenou a secção de iniciação à literatura, e, de 1990 a 1993, foi diretora da revista Pais & Filhos.

Coordenou a coleção "Cabra-Cega", das edições Fernando Ribeiro de Mello, onde se estrearam autores como António Torrado ("Pinguim em fundo branco") e António José Forte ("Uma rosa na tromba de um elefante"), e na qual foram publicados livros ilustrados por muito jovens artistas, então recém-formados, como Fernando Calhau, Eduardo Batarda ou Julião Sarmento.

Nesta coleção surgiu também o seu título "Conversas com versos".

Em 1975 adaptou para o português contemporâneo a obra “Peregrinação” (1614), de Fernão Mendes Pinto, que foi editada no Brasil.

Em 1986 recebeu o Grande Prémio Gulbenkian de Literatura para Crianças, “pelo conjunto da sua obra literária e manutenção de um alto nível de qualidade".

A autora fez traduções e adaptações, escreveu dezenas de peças de teatro, e publicou 15 livros de poesia para público em geral, que será em breve “totalmente reeditada e organizada pela Porto Editora, com o título 'Poesia Completa'", disse fonte da família à agência Lusa.

Alberta Menéres organizou a "Antologia da Poesia Moderna Portuguesa" (1940-1967), publicada em 1976 e, em 1978, com o poeta E.M. de Melo e Castro, a "Novíssima Antologia da Moderna Poesia Portuguesa", em dois volumes.

A escritora exerceu as funções de assessora do provedor de Justiça, de 1993 a 1998, tendo sido a responsável pelas primeiras linhas de apoio a Crianças e Idosos em Portugal.

Maria Alberta Rovisco Garcia Menéres nasceu em Vila Nova de Gaia, em 25 de agosto de 1930, licenciou-se em Ciências Histórico-Filosóficas pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, foi professora do Ensino Técnico, Preparatório e Secundário, nas disciplinas de Língua Portuguesa e História, de 1965 a 1973.

Em 2010, foi agraciada com a Ordem de Mérito Civil no grau de Comendador.

“Oração de Páscoa” (1958), “O poema disse ao poema” (1974), “O Robot Sensível” (1978), “A Pedra Azul da Imaginação” (1975), “Um Camaleão na gaveta” (1988), “Sigam a Borboleta” (1996), “Camões, o Super Herói da Língua Portuguesa” (2010) e “À Beira do Lago dos Encantos” (2016) são alguns dos seus títulos.