Os diretores escolares saudaram esta quinta-feira o regresso dos alunos do ensino secundário às escolas na segunda-feira, sublinhando que os jovens já estavam “cansados do ensino à distância” e “fartos de estar em casa e a precisar de socializar”.

O primeiro-ministro anunciou que os mais de 300 mil alunos do ensino secundário voltam aos liceus em 19 de abril, deixando para trás os ecrãs que usaram nos últimos meses para acompanhar as aulas à distância.

Em declarações à Lusa, os presidentes das duas associações representativas dos diretores escolares aplaudiram a decisão, sublinhando que será “muito importante para as aprendizagens” mas também para a saúde psicológica dos alunos.

“Esta é naturalmente uma boa notícia. Primeiro, porque é um sinal de que a pandemia está minimamente controlada. Depois porque o ensino à distância é um modelo cansativo e que já se estava a revelar desmotivador para muitos alunos”, disse à Lusa o presidente da Associação Nacional de Dirigentes Escolares (ANDE).

Manuel Pereira acrescentou que os estudantes “já estavam a precisar de voltar para a escola, porque além das dificuldades na aprendizagem também existe o lado da socialização”.

O agravamento da pandemia levou à suspensão do ensino presencial em janeiro

Para o presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e de Escolas Públicas (ANDAEP), Filinto Lima, os jovens “estão fartos de estar em casa e a precisar de desconfinar e de socializar, que é essencial nestas idades”.

Filinto Lima disse que “o regresso à escola é do agrado de todos”, desde pais a alunos, professores e funcionários.

A medida está prevista desde março, quando o Governo desenhou um plano de desconfinamento gradual, mas esteve sempre dependente da evolução da pandemia de covid-19 em Portugal, que foi alvo de análise da reunião de Conselho de Ministros de hoje.

O primeiro-ministro António Costa anunciou hoje que, tal como previsto, na segunda-feira “podem regressar ao ensino presencial os alunos do ensino secundário e do ensino superior”. No total, são mais de 700 mil jovens.

Filinto Lima saudou o avanço para a terceira fase do desconfinamento, lembrando que o regresso à escola começou de forma gradual em 15 de março com as crianças das creches e 1.º ciclo e continuou para a segunda fase em 5 de abril, com os alunos dos 2.º e 3.º ciclos.

“As escolas têm estado sempre na linha da frente nos planos de desconfinamento e temos dado conta do recado. Todos têm cumprido as regras”, disse o presidente da ANDAEP.

Os dois representantes dos diretores escolares sublinharam que as escolas “sempre foram espaços seguros” que se tornaram “de mais confiança ainda”, com a campanha de testes de despistagem à covid-19 e o programa de vacinação dos funcionários escolares.

Com a retoma do ensino presencial dos alunos do secundário e superior termina o processo gradual de regresso às escolas.

Segundo António Costa, após a análise da evolução da taxa de incidência e do ritmo de transmissão do vírus, o Governo considerou que era possível “evoluir para a próxima etapa do processo de desconfinamento”, ou seja, a terceira fase do plano.

No entanto, existem quatro concelhos que vão recuar para a anterior fase de desconfinamento, devido ao agravamento da situação epidemiológica, e outros sete concelhos que se mantêm com as regras atualmente em vigor, mas as escolas do ensino secundário também vão abrir nestes 11 concelhos, uma vez que as medidas decididas pelo Governo para a área da educação são sempre de aplicação nacional e nunca local.

“As medidas relativas ao sistema educativo serão sempre medidas de âmbito nacional e, portanto, em todos os concelhos, inclusive os retidos na atual fase e os quatro que recuam para a fase anterior do confinamento, vão manter-se as escolas que estão abertas e abrem as restantes” que estão agora previstas, sublinhou António Costa.

Os critérios de avaliação para definir as novas regras de desconfinamento têm em conta o ritmo de transmissão do vírus e a taxa de incidência da pandemia em território nacional.

Se a taxa de incidência registou uma “evolução claramente positiva”, entre 9 de março e 14 de abril, já o ritmo de transmissão dirige-se “para o lado perigoso”, alertou o primeiro-ministro, sublinhando, no entanto, que o país está “em condições de dar o próximo passo”.

Arranca assim a terceira fase do desconfinamento desenhada há pouco mais de um mês, numa altura em que o primeiro-ministro avisou que seria um plano de reabertura gradual, “a conta-gotas”, que estava dependente da evolução da pandemia de covid-19 em Portugal.

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