Uma advogada está a ser investigada por suspeitas de maus-tratos a idosos, abertura de lares ilegais e consultas jurídicas, apesar de estar proibida de exercer.

A TVI sabe que Paula Esteves foi suspensa pela Ordem dos Advogados em 2017, mas continua a prestar serviços jurídicos através de uma página na internet, onde consta o contacto e o preço dos serviços.

A advogada chegou mesmo a ser notificada para pagar uma multa de 500 euros e a devolver o dinheiro a quem prejudicou, mas até hoje não pagou.

Paula Esteves é suspeita de criar uma associação de apoio às vítimas de violência doméstica e dependentes, sediada numa vivenda em Loulé, local que transformou, semanas depois, num lar ilegal de idosos e sem o conhecimento do proprietário.

A casa não tinha condições nenhumas para receber idosos. Ela só não destruiu paredes, de resto, fez tudo" contou a proprietária da moradia, Elisabete Brito.

Também o proprietário da moradia, Manuel Brito, queixa-se de ameaças, insultos racistas e destruição de propriedade privada.

Já os antigos funcionários denunciaram a advogada à GNR por agressões físicas, verbais e falta de alimentação.

Desde o papel higiénico ao sal, faltava tudo nesta casa. Estava três ou quatro dias à espera que  fossem ao supermercado comprar comida para os idosos comerem", disse Ana Serra, ex-empregada da moradia.

As testemunhas confirmaram à TVI a falta de cuidados de saúde num ambiente de perseguição e controlo, onde os funcionários não podiam alertar os familiares nem acionar uma ambulância caso fosse necessário.

A TVI teve acesso a imagens onde são percetíveis os deficientes cuidados para com os idosos, com feridas cobertas com compressas coladas com pensos rápidos. 

Paula Esteves chegava a vestir uma bata branca, fazendo-se passar por médica, para acalmar os utentes. As funcionárias recebiam ainda indicação, por parte da advogada, para dar calmantes dissolvidos em água aos utentes.

Dias depois de ter sido despejada da moradia em Almancil, Paula Esteves arrendou outra vivenda em Loulé, onde tem quatro idosos com vários problemas de saúde. 

A GNR foi ao local, após uma denúncia, mas os militares não chegaram a entrar na habitação.

Durante várias semanas, a TVI tentou contactar Paula Esteves que, por opção, nunca quis prestar declarações. 

Miguel Fernandes / publicado por Rafaela Laja