O vice-almirante Henrique Gouveia e Melo aproveitou uma visita à Escola Secundária Alves Martins, em Viseu, para fazer o balanço da operação vacinal em Portugal que está cada vez mais perto do seu objetivo. Num momento em que define a guerra como ganha.

Aos jornalistas, o coordenador da task-force negou ter-se tornado uma referência nacional. "Essas coisas das referências, sabe quantas referências o país tem no cemitério? São muitas", respondeu, destacando o seu papel. “Se, naquele momento e naquela circunstância conseguirmos fazer o melhor que podemos por todos nós e pelo nosso país, acho que somos individualmente felizes”.

"Correu tudo bem e ainda bem que correu tudo bem", referiu, numa altura em que Portugal assume a primeira posição na lista global de países com maior percentagem da sua população totalmente vacinada

Já mais tarde, num discurso, Gouveia e Melo usou como exemplo a meta dos 80% de população totalmente vacinada para afirmar que o país venceu o vírus.

"Já ultrapassamos os 80% das segundas doses e estamos a caminho dos 85% ou mais da vacinação completa, isto significa que nós vencemos o vírus. Isto significa que a nossa vida será diferente. Para já, vencemos a primeira batalha. A vida é uma guerra e nós vamos vencendo as batalhas, conforme elas se vão apresentando", declarou momentos depois de reconhecer que sentiu o olhar de dez milhões de portugueses sob ele.

Gouveia e Melo diz ainda que se tivesse falhado, "não conseguiria andar na rua" novamente e sublinha que tem muita confiança de que 2022 será um ano "muito diferente".

Todo o processo de vacinação só foi conseguido porque "temos uma população muito adulta que sentiu o vírus como um ataque à comunidade". 

"Perderam-se mais de 18 mil portugueses. Quando foi a guerra de África, perderam-se oito mil portugueses em três teatros de operação em quase treze anos de guerra. Em menos de um ano e meio perdemos 18 mil portugueses. Quando vejo as manifestações e as teorias dos negacionistas, que vivem numa bolha de informação que se auto-alimenta, completamente numa realidade alternativa, e dizem que as vacinas matam? Depois de 18 mil mortos, quantos portugueses morreram em resultado da vacinação?", declama, ligeiramente emocionado.

Esta terça-feira foi avançado que existem 8.273.895 portugueses com vacinação contra a covid-19 completa, o que significa que 80% da população já foi totalmente inoculada.

Mais de metade dos jovens entre os 12 e os 17 anos e todos os idosos acima dos 65 anos já têm vacinação completa contra a covid-19, anunciou a Direção-Geral da Saúde (DGS).

Segundo o relatório semanal da vacinação, 52% dos jovens dos 12 aos 17 anos (320.708) já completaram a vacinação – na semana anterior eram 25% - e 84% (525.426) receberam pelo menos uma dose.

Pela primeira vez, o relatório da vacinação avança que 100% dos idosos dos grupos etários dos 65 a 79 anos e dos mais de 80 anos já estão totalmente vacinados, o que representa um total de mais de 2,3 milhões de pessoas.