O ex-presidente do Sporting Bruno de Carvalho anunciou esta quinta-feira que vai desistir da queixa que apresentou contra Rui Pinto, principal arguido do processo ‘Football Leaks’, a título pessoal, por violação de correspondência.

Vou desistir, desisto”, afirmou Bruno de Carvalho durante, a 13.ª sessão do julgamento do processo ‘Football Leaks’, onde está a ser ouvido como testemunha de defesa do criador da plataforma eletrónica através da qual foram divulgados milhares de documentos confidenciais do mundo do futebol e alegados esquemas de evasão fiscal cometidos em diversos países.

Bruno de Carvalho, que começou a ser ouvido esta quinta-feira, considerou que “o ‘Football Leaks’ foi muito positivo para alertar as pessoas”, acrescentando: “Espero, dentro de alguns anos, dizer que foi altamente moralizador”.

Acho que devido à relevância das provas [a justiça] devia olhar para o caso e chegar a um acordo”, disse o antigo presidente leonino, acrescentando: “Espero não ver que estas provas não tenham legalidade pela forma como foram obtidas”.

Bruno de Carvalho, que em tribunal anunciou ter desistido de uma queixa-crime que apresentou contra Rui Pinto por violação de correspondência, deu os parabéns ao arguido por ter tido “uma iniciativa que mexeu com o mundo”.

Em termos de filosófica orientação e estratégia fico contente que um miúdo de 30 anos tenha tido uma iniciativa que pôs o mundo a olhar para sistema bancário, político e desportivo”, afirmou, após ter terminado o seu testemunho no tribunal.

O antigo dirigente referiu que as denúncias de Rui Pinto “sedimentaram” uma série de informação que ele próprio ajudou a denunciar, e considerou que “houve uma série de processos cujas investigações andaram mais depressa a partir do momento em que um miúdo de 30 anos fez o que fez”.

Espero que haja muita gente e muita instituição que, perante o que ele descobriu, se sente no banco dos réus”, referiu Bruno de Carvalho, voltando a defender a ideia de que a “sociedade mundial vive com duas pandemias: a covid-19 e a corrupção”.

Rui Pinto, de 31 anos, responde por um total de 90 crimes: 68 de acesso indevido, 14 de violação de correspondência, seis de acesso ilegítimo, visando entidades como o Sporting, a Doyen, a sociedade de advogados PLMJ, a Federação Portuguesa de Futebol (FPF) e a Procuradoria-Geral da República (PGR), e ainda por sabotagem informática à SAD do Sporting e por extorsão, na forma tentada.

Este último crime diz respeito à Doyen e foi o que levou também à pronúncia do advogado Aníbal Pinto.

/ HCL