O deputado do PSD Rui Silva, referido como "suspeito" na investigação que indiciou o presidente da autarquia de Vila Verde por corrupção, disse "desconhecer em absoluto" qualquer imputação e afirmou "não ter sido contactado" por nenhuma entidade judicial.

Em declarações à Lusa, na manhã desta quinta-feira, o deputado afirmou ter tido conhecimento do envolvimento do seu nome no processo "pela imprensa" e que "nem a Polícia Judiciária (PJ), nem o Ministério Público (MP)" o contactaram.

O nome de Rui Silva, que foi vice-presidente da autarquia de Vila Verde e presidente do conselho de administração da Escola Profissional Amar Terra Verde (EPATV), foi referido como sendo "suspeito" no despacho judicial que estipulou as medidas de coação do autarca António Vilela (PSD) e do proprietário daquela escola, João Nogueira, detidos terça-feira e indiciados por corrupção, prevaricação, participação económica em negócio e abuso de poder.

"Não tenho conhecimento de nenhuma investigação que me envolva. Não foi contactado nem pela PJ, nem pelo MP, nem por nenhuma entidade judicial. Desconheço em absoluto o teor das acusações", afirmou Rui Silva.

"Foi pela imprensa que tive conhecimento que o meu nome estaria envolvido", explanou.

No referido documento judicial, a juíza de instrução criminal Magda Cerqueira aplica como medida de coação aos dois indiciados a "obrigação de não contactarem por qualquer meio, pessoalmente ou por interposta pessoa, um com o outro, ou qualquer dos arguidos com o suspeito Rui Silva, bem como as testemunhas identificadas nos autos ou os funcionários da Escola Profissional Amar Terra Verde".

Na base da detenção de António Vilela e João Nogueira estão indícios da alegada prática dos crimes de corrupção e prevaricação no processo de alienação da EPATV a uma empresa privada, na concessão de um parque estacionamento à superfície e na construção de um parque de estacionamento a uma empresa do setor da construção civil.

Sobre a alienação da EPATV, processo no qual o deputado teve participação pelas funções que desempenhava à altura, Rui Silva afirmou que "foi tudo feito de forma totalmente transparente".

O capital social da escola era detido, a 100%, pelas câmaras de Vila Verde, Amares e Terras de Bouro, mas em 2013, e na sequência da lei 50/2012, aqueles municípios decidiram alienar 51 por cento da sua participação.

Foi aberto concurso público para a alienação, tendo apenas concorrido a empresa Val d'Ensino, criada exclusivamente para o efeito, em janeiro de 2013, tendo sido todo o processo de privatização considerado "muito nubloso" pela oposição.

"Vários grupos levantaram o caderno de encargos mas no final apareceu só um concorrente. Mas tudo foi publicitado devidamente", garantiu Rui Silva.

Redação / SS