Os supermercados de concelhos raianos do Alto Alentejo foram “invadidos” nos últimos dias por clientes espanhóis e alguns refugiaram-se na zona, devido à pandemia de Covid-19, relataram à agência Lusa vários autarcas.

O presidente da Associação Empresarial de Elvas, João Pires, também descreveu à Lusa que a situação vivida nos supermercados da cidade fronteiriça, sobretudo no passado fim de semana, foi “avassaladora”.

Além do maior volume de clientes vindos do outro lado da fronteira, a presidente da Câmara de Portalegre, Adelaide Teixeira, relatou à Lusa que "há vários cidadãos espanhóis residentes na raia e na zona de Madrid a instalar-se na região", nomeadamente em parques de campismo e junto à barragem de Póvoa e Meadas, no concelho de Castelo de Vide.

“O problema aqui não é serem de nacionalidade espanhola. O problema é que estão a vir de zonas epidemiológicas”, alertou.

Também o presidente da Câmara de Marvão, Luís Vitorino, mencionou que nos últimos dias os supermercados e cafés do concelho foram “varridos” por clientes espanhóis e que "há muita gente de Madrid que veio para aqui refugiar-se”.

O presidente da Comunidade Intermunicipal do Alto Alentejo (CIMAA), Hugo Hilário, disse à Lusa ter também conhecimento que, nos últimos dias, se registou um maior fluxo de clientes espanhóis em supermercados situados na raia.

O surto começou na China, em dezembro, e espalhou-se por mais de 140 países e territórios, o que levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a declarar uma situação de pandemia.

Depois da China, que regista a maioria dos casos, a Europa tornou-se o epicentro da pandemia, com mais de 55 mil infetados e pelo menos 2.335 mortos.

A Itália com 1.809 mortos (em 24.747 casos), a Espanha com 297 mortos (8.794 casos) e a França com 127 mortos (5.423 casos) são os países mais afetados na Europa.

Face ao avanço da pandemia, vários países adotaram medidas excecionais, incluindo o regime de quarentena e o encerramento de fronteiras.

O Governo português também anunciou hoje o controlo de fronteiras terrestres com Espanha, passando a existir nove pontos de passagem e exclusivamente destinados para transporte de mercadorias e trabalhadores que tenham que se deslocar por razões profissionais.

Em Portugal, 331 pessoas foram infetadas até hoje, tendo sido registada uma morte.

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