O toureiro Ricardo Chibanga, o único matador de touros africano da história da tauromaquia, morreu esta terça-feira, em casa, aos 76 anos, disse à agência Lusa o presidente da Associação Portuguesa de Empresários Tauromáquicos (APET), Paulo Pessoa de Carvalho.

O toureiro esteve recentemente internado no hospital de Torres Novas (Santarém), por ter sofrido um acidente vascular cerebral. Regressou depois a casa, na Golegã.

Natural de Moçambique, Ricardo Chibanga veio para Portugal nos anos 60 do século passado, tendo sido apoiado por várias figuras da festa brava, como o matador de touros e empresário taurino Manuel dos Santos.

A alternativa de matador de touros de Ricardo Chibanga surgiu na Real Maestranza de Caballaria de Sevilha (Espanha) a 15 de agosto de 1971, tendo sido apadrinhado por António Bienvenida, com o testemunho de Rafael Torres.

Em Portugal, apresentou-se como matador de touros na praça do Campo Pequeno, em Lisboa, no dia 19 de agosto de 1971, tendo toureado ao lado do matador espanhol José Luis Galloso.

Ricardo Chibanga abandonou as arenas no início dos anos 90 do século passado, tendo adquirido uma praça de touros desmontável em que promovia festejos taurinos, alugando também o equipamento a outros empresários tauromáquicos.

Contactado pela Lusa, o jornalista e editor do blog de tauromaquia farpasblogue, Miguel Alvarenga, descreveu Ricardo Chibanga como “muito importante” para a história da festa brava e um embaixador de Portugal no estrangeiro.

Foi o primeiro toureiro africano no mundo e foi muito importante para a festa, mas, sobretudo, para Portugal, pois ele foi, juntamente com Amália Rodrigues e Eusébio, um embaixador do nosso país no estrangeiro. Foi um facto inédito haver um matador africano, vindo de Moçambique, e foi um toureiro muito respeitado e acarinhado em Espanha”.

"Um filho da Golegã"

O presidente da Câmara da Golegã (Santarém), José Veiga Maltez, lamentou já a morte do toureiro Ricardo Chibanga.

É um filho da Golegã, ele adotou a Golegã, ambos se adotaram. Ele veio viver para a Golegã logo no início da sua chegada a Portugal, foi um dos últimos alunos de Mestre Patrício Cecílio que tinha uma escola de toureio”.

José Veiga Maltez, que conhecia o matador de touros “desde criança”, recordou que sempre mantiveram uma relação de “grande empatia”, tendo acompanhado a carreira do toureiro nas arenas ao longo dos anos. “Foi uma pessoa de origens humildes, com uma educação e uma elevação que é de relevar. É uma pessoa que deixa saudade pela sua maneira de estar e de ser”.

O presidente do município recordou ainda que, no início da sua carreira como autarca, uma das primeiras ações foi “elevar” os toureiros da Golegã, tendo sido dada a uma rua o nome do matador de touros Ricardo Chibanga. “É uma pessoa que deixa saudade, um embaixador da festa brava e uma figura icónica da Golegã”, frisou.