A Direção-Geral da Saúde corrigiu esta sexta-feira a taxa de incidência cumulativa de covid-19 a 14 dias por 100 mil habitantes em Beja, para o período de 31 de março a 13 de abril de 2021.

"A incidência cumulativa a 14 dias no período referido é assim de 107 casos por 100 000 habitantes", diz a DGS em comunicado.

Recorde-se que era uma taxa de incidência acima dos 120 que tinha colocado Beja no conjunto de concelhos que não iam avançar no desconfinamento na próxima segunda-feira.

Fonte do Governo confirmou à TVI que esta correção implica que o concelho de Beja pode reabrir os estabelecimentos previstos para a terceira fase do desconfinamento na segunda-feira:

• Cinemas, teatros, auditórios, salas de espetáculos

• Lojas de cidadão com atendimento presencial por marcação

• Todas as lojas e centros comerciais (cumprindo a lotação fixada pela Direção-Geral da Saúde)

• Restaurantes, cafés e pastelarias (máximo de 4 pessoas em mesa ou ao balcão, ou 6 em esplanadas) até às 22h ou 13h ao fim de semana e feriados

• Modalidades desportivas de médio risco (estão incluídas as principais modalidades coletivas, casos do andebol, basquetebol, futebol, futsal, hóquei em patins e voleibol, e ainda corfebol, futebol de praia, hóquei e hóquei em linha, polo aquático, aquatlon, hóquei subaquático e râguebi subaquático, assim como o râguebi em cadeira de rodas, que completará o leque de desportos para pessoas com deficiência) e treinos do desporto de formação

• Atividade física ao ar livre até 6 pessoas 

• Eventos exteriores com diminuição de lotação

• Casamentos e batizados com 25% de lotação

As escolas do Ensino Secundário e o Ensino Superior já se sabia que podem reabrir em todo o país na segunda-feira, mesmo nos concelhos que tinham de travar ou recuar no desconfinamento.

O presidente da Câmara de Beja, Paulo Arsénio, disse estar “muito satisfeito” com a retificação da incidência cumulativa de covid-19 nos últimos 14 dias. 

No fundo foi o reconhecimento de um lapso e os lapsos acontecem. Quando acontecem, repõe-se novamente a verdade e foi o que aconteceu. Estamos muito satisfeitos pelos nossos operadores, comerciantes, pela nossa população e também pelo facto de a Direção-Geral da Saúde ter reconhecido que errou”, disse Paulo Arsénio (PS) à agência Lusa.

Na quinta-feira, o presidente da Câmara de Beja tinha contestado a inclusão do seu município no conjunto de sete concelhos que não avançam para a próxima fase de desconfinamento e pediu explicações à DGS sobre essa decisão.

Hoje, em declarações à Lusa, o autarca disse que os "erros acontecem", a situação foi reposta e está de acordo com a realidade sanitária do concelho.

“Ontem [quinta-feira], o município de Beja viu-se muito surpreendido e quase incrédulo quando fomos incluídos na lista dos sete concelhos que, não recuando, ainda assim não seguiam para a fase seguinte do desconfinamento, porque era nosso entendimento, com os dados de que dispúnhamos e depois de entrar em contacto com a autoridade pública de saúde local, que Beja entre o dia 31 março e 13 de abril tinha uma incidência de 107 casos por 100 mil habitantes nos últimos 14 dias”, destacou.

Paulo Arsénio lembrou que o concelho transitava da quinzena anterior com 134 casos por 100 mil habitantes.

Tínhamos a perfeita noção de que, se tivéssemos novamente acima de 120, ficaríamos nos concelhos que não avançariam. Houve um comportamento muito responsável da população nesta última quinzena e seria injusto que por um erro numérico, que se verificou algures numa contagem errada, os operadores económicos do concelho fossem severamente prejudicados depois de três meses de paragem por mais 14 dias”, disse.

O autarca recordou que muitos estabelecimentos estão fechados há três meses ou a trabalhar de forma muito condicionada e esta retificação vai permitir uma maior abertura com todas as condições de segurança.

Seria muito injusto que num município que tem apenas 24 casos ativos neste momento, não tem qualquer surto, não tem uma única pessoa nos cuidados intensivos, os pequenos cafés e restaurantes das aldeias onde há muitos meses não se encontra nenhum caso ficassem fechados e grandes centros comerciais das cidades abrissem”, disse.

Paulo Arsénio espera agora que a população continue a comportar-se como tem vindo a fazer e que Beja, em conjunto com todo o país, “possa fazer um percurso de ajuda à economia e de salvaguarda da saúde pública simultaneamente”.

Catarina Pereira