Os sindicatos médicos reuniram-se, esta terça-feira de manhã, com o ministro da Saúde, numa tentativa de retomar as negociações após a greve nacional de dois dias. A reunião aconteceu à porta fechada e terminou cerca das 13:00.

A reunião contou com a presença Adalberto Campos Fernandes que se comprometeu, de acordo com o presidente da Federação Nacional dos Médicos (FENAM), Mário Jorge Neves, "a negociar" as matérias - diminuição dos utentes em lista de espera e redução das 18 para as 12 horas - e que "até ao final da legislatura vão estar repostos os valores que os Sindicatos têm vindo a defender".

Por sua vez, o secretário-geral do Sindicato Independente dos Médicos (SIM), Roque da Cunha, afirmou que na reunião desta manhã "foi reassumido o diálogo com a presença do ministro em reuniões mensais".

Houve o compromisso de, durante esta semana, haver uma proposta concreta em relação à diminuição das horas máximas em termos de urgência e, no próximo mês, uma proposta do governo em relação às outras duas matérias - diminuição dos utentes em lista de espera e redução das 18 para as 12 horas".

Antes da reunião, o secretário-geral do SIM afirmou que o importante era que o ministro Adalberto Campos Fernandes tenha percebido que a greve "não era uma brincadeira".

As expectativas são que o senhor Ministro da Saúde tenha lido o que aconteceu nestes dois dias, não só a expressiva forma de apoio que os médicos deram aos seus dirigentes sindicais - não era uma brincadeira nossa, uma greve de médicos é sempre difícil de convocarmos - e por outro lado também tenha em atenção o que aconteceu no debate da atualidade junto do primeiro-ministro", afirmou Roque da Cunha, acrescentando que espera que Adalberto Campos esteja na reunião porque "foi o gabinete dele que convocou" a reunião.

O secretário-geral do SIM afirmou ainda que esperava que as negociações chegassem a bom porto uma vez que o Ministro da Saúde "é um político experiente e sabe ler o sinal que foi dado pelos médicos naqueles dos dias".

O Ministro sabe que não estamos aqui para criar confusão, somos um sindicato de acordos", acrescentou.

Por sua vez, o presidente da Federação Nacional dos Médicos, Mário Jorge Neves, considerou que o sucesso das negociações dependia do ministro da saúde e considerou que a convocatória para o retomar do diálogo era inevitável.

Estamos aqui para encontrar soluções para os graves problemas que afetam os médicos", afirmou.

O ministro da Saúde admitiu na quinta-feira, em entrevista à TVI, que as reivindicações que levaram à greve nacional dos médicos são quase todas “muito legítimas” e manifestou-se disponível para continuar a trabalhar já na próxima semana com os sindicatos.

Adalberto Campos Fernandes lembrou ainda que, nos últimos anos, a Saúde foi um setor “muito fustigado”.

Contudo, o governante indicou que “não é possível fazer tudo por todos ao mesmo tempo”, mas afirmou que “há espaço, em termos de faseamento no tempo”, para acolher as propostas dos dois sindicatos que convocaram a paralisação, estimando que o calendário das negociações possa estar encerrado em setembro.

Os médicos estiveram em greve na quarta e quinta-feira, uma paralisação que, segundo os sindicatos teve uma adesão na ordem dos 90%.

Os sindicatos médicos reivindicam 12 horas de trabalho em serviço de urgência, a diminuição do número de utentes por médico de família, a reposição do pagamento de 100% das horas extra, que recebem desde 2012 com um corte de 50%.

Exigem ainda a reversão do pagamento dos 50% com retroatividade a janeiro deste ano.