A Polícia Judiciária anunciou esta sexta-feira a detenção de cinco homens pelo homicídio do estudante Luís Giovani Rodrigues, de nacionalidade cabo-verdiana, que morreu em Bragança.

Os suspeitos detidos têm entre 22 e 35 anos e estão indiciados pelo crime de homicídio qualificado, sabe a TVI.

Ao que a TVI apurou, os detidos não têm cadastro, são todos naturais de Bragança e a investigação descartou que as agressões que resultaram na morte do estudante tenham tido por base discriminação racial, devendo-se a motivo fútil.

Dentro do apuramento de responsabilidades, dois dos detidos destacam-se pela violência com que agrediram a vítima. 

Luís Neves, diretor nacional da Polícia Judiciária, falou à imprensa em Vila Real e sublinhou que as autoridades entendem que "o núcleo duro que perpetrou as agressões" foi detido, confirmando que o crime resultou de uma desavença que começou no interior de um espaço lúdico e se desenvolveu no exterior.

Referiu que os detidos estão indiciados por homicídio qualificado e justificou a conferência de imprensa "inédita" pelo facto de o caso ter "extravasado" da investigação, causando grande alarme social não só na cidade de Bragança como em todo o país.

Luís Neves sublinhou que a PJ transmitiu já esta sexta-feira as condolências e uma palavra de conforto ao pai de Giovani e ao embaixador de Cabo Verde em Portugal, realçando que "não se trata de um crime cometido entre nacionais de um país ou de outro", mas de uma ação violenta de um grupo que terminou com a morte do jovem.

Bragança e nosso país são de grande acolhimento", destacou o responsável.

Questionado sobre se haverá mais detenções, o diretor nacional da PJ disse que a investigação "é dinâmica", mas que as autoridades acreditam que estão detidos os responsáveis materiais do crime, ainda que o grupo envolvido na desavença fosse maior. 

Os elementos não estão conhecidos por estarem envolvidos noutra situações" de violência, disse ainda. 

Luís Neves não quis dar detalhes sobre os detidos, afirmou apenas que "muitos são desempregados" e que foram indiciados por um crime de homicídio qualificado e três crimes de homicídio na forma tentada, referentes aos outros três estudantes com quem estava Giovani Rodrigues, e que tambem foram agredidos. 

Sobre as provas recolhidas, Luís Neves diz que as detenções foram feitas devido a prova testemunhal, declarações dos próprios arguidos e "outros elementos de prova que não gostaríamos de partilhar por uma questão de sigilo". 

O diretor nacional da PJ concluiu a conferência de imprensa agradecendo às autoridades que colaboraram na investigação, nomeadamente a PSP de Bragança e o Ministério Público, e dizendo que "a Polícia Judiciária não tem medo de qualquer atuação, atua em todos os cenários, entra onde tem que entrar, da forma que tem que entrar, porque vivemos num Estado de Direito"

Em comunicado divulgado ao início da manhã desta sexta-feira, as autoridades referiam que "a Polícia Judicriária, através do Departamento de Investigação Criminal de Vila Real, após diligências de investigação que vem realizando desde o conhecimento da morte, no dia 31 de dezembro de 2019, do jovem estudante Luís Giovani Rodrigues, procedeu - no dia de ontem - a buscas domiciliárias, inquirições e interrogatórios de várias pessoas, suspeitas de estarem envolvidas nos acontecimentos que determinaram a morte daquele jovem. Na sequência desta ação operacional, envolvendo investigadores e peritos da Polícia Judiciária, foram detidos cinco homens, com idades entre os 22 e os 35 anos, tendo sido apreendidos elementos probatórios relevantes".

Segundo a mesma nota, os detidos vão ser presentes às autoridades judiciárias competentes, "para interrogatório judicial e aplicação de medidas de coação, tidas por adequadas".

Luís Giovani dos Santos Rodrigues, que estudava no Instituto Politécnico de Bragança, morreu a 31 de dezembro do ano passado no hospital, após ter sofrido uma agressão perto de uma discoteca em Bragança onde estivera com amigos.

A autópsia do jovem foi inconclusiva, não esclarecendo se a morte foi provocada pelas agressões ou pela queda que sofreu depois quando caminhava no centro da cidade. 

Luís Giovani era natural da ilha cabo-verdiana do Fogo, tendo o município de Mosteiros publicado uma nota sobre a sua morte, recordando que tinha viajado em outubro para Bragança, “para seguir o curso de Design de Jogos Digitais”.

Giovani era um dos mais promissores artistas de Mosteiros, tendo-se destacado na banda Beatz Boys, um grupo integrado por jovens formados pela paróquia de Nossa Senhora da Ajuda e artistas oriundos do agrupamento De Martins”, lê-se na mesma mensagem da Câmara Municipal de Mosteiros.

 A morte de Luís Giovani provocou uma onda de indignação em todo o país e no estrangeiro. Realizaram-se várias vigílias pedindo justiça para o jovem, tendo sido questionada a atuação das autoridades. 

O embaixador de Cabo Verde esteve em Bragança, onde afirmou não descartar a possibilidade de terem existido falhas na investigação.