A Polícia Judiciária regressou, nesta segunda-feira, a Pedrógão Grande, para reunir documentos e entrevistar pessoas, no âmbito do inquérito do Ministério Público às irregularidades na reconstrução das habitações afetadas pelo incêndio de 2017, depois de na quarta-feira ter efetuado buscas na câmara e na Casa da Cultura.

Em causa estão "diligências de investigação destinadas à recolha de prova documental e pessoal, mas que não consubstanciam buscas", disse fonte do Ministério Público à TVI.

A operação da Judiciária na passada semana surgiu na sequência da investigação da TVI sobre alegadas irregularidades nas ajudas à reconstrução de habitações atingidas pelo fogo de 2017. De acordo com a reportagem da TVI, há casas que terão sido classificadas como de primeira habitação, quando eram de segunda habitação e outras estavam abandonadas e degradadas.

No entanto, o presidente da autarquia, Valdemar Alves, esclareceu aos jornalistas no local de que na Câmara estava apenas uma equipa de revisores oficiais de contas (ROC), com o objetivo de preparar o orçamento para 2019 e "fechar as contas" do corrente ano, não fazendo referência ao inquérito do Ministério Público e negando a presença da PJ nas instalações. 

Estes técnicos, acrescentou o autarca, estão acompanhados das funcionárias da contabilidade camarária "para fechar o orçamento", trabalhos que estão a decorrer no salão nobre.

Quanto às buscas da PJ na quarta-feira, o autarca reiterou a disponibilidade "para colaborar", dizendo também que os inspetores "já levaram tudo o que quiseram".

Pode haver alguma irregularidade administrativa, da falta deste ou daquele documento, de qualquer modo, vou verificar alguns documentos, mas mantenho a minha, sou um homem de confiança", afirmou, ainda.

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O autarca de Pedrógão Grande, Valdemar Alves, reafirma que todas as habitações contempladas com ajudas do Fundo Revita arderam durante o incêndio do ano passado e que todas as famílias contempladas com donativos têm direito ao dinheiro que lhes foi atribuído.

A 19 de julho a Procuradoria-Geral da República (PGR) já tinha anunciado a abertura de um inquérito para investigar os alegados esquemas na reconstrução das casas. A 23 de agosto, o Governo enviou também para o Ministério Público as denúncias de irregularidades reveladas na reportagem da TVI.