Baltazar Nunes, investigador auxiliar no Departamento de Epidemiologia do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge, afirmou esta sexta-feira que Portugal está a viver uma terceira fase de crescimento desde o início do mês de agosto. 

O especialista explicou ainda que há vários dias que o valor médio do RT se situa num patamar acima de um. "De nove a 13 de setembro verificámos que o valor médio do R estava nos 1.15".

Baltazar Nunes explicou que Portugal está na terceira fase de crescimento, numa divisão que se iniciou nos primórdios da pandemia. 

Vivemos a primeira fase de abril a março, depois tivemos uma fase de intensidade menor entre maio e junho. A terceira fase de crescimento iniciou-se em agosto", disse Baltazar Nunes, sublinhando que Portugal está em linha com o resto da Europa.

O investigador analisou a situação pandémica do país na habitual conferência de imprensa presidida pela ministra da Saúde, Marta Temido, que sublinhou a possibilidade de o número de casos positivos de infeção por Covid-19 aumentar nos próximos dias. 

É previsível um aumento de novos casos nos proximos dias", afirmou Temido, avançando que o objetivo das autoridades de saúde é controlar a doença sem fechar. "Uma maratona e não um sprint".

Na semana em que muitas escolas voltaram a abrir portas e no mesmo dia em que António Costa antecipou uma subida de casos na próxima semana, Marta Temido reforçou que "a vida é muito mais complexa do que fechar ou confinar".

A ministra da Saúde afirmou que o Governo está a procurar “soluções alternativas” para acabar com as concentrações de pessoas que são obrigadas a estar à porta de escolas e centros de saúde pelas restrições às entradas.

Na conferência de imprensa de acompanhamento da pandemia da covid-19, Marta Temido declarou que “os vários setores do Governo que se defrontam com esse problema estão a procurar fazer o melhor para, em tempo, encontrar soluções alternativas”, como criar condições para horários de entrada desfasados.

Serão “soluções que permitam que os horários sejam ajustados ou que as pessoas tenham condições para estarem mais protegidas”, afirmou a ministra, sem concretizar, indicando que “algumas já estão a ser instaladas”, mas salientando que “nada disto é fácil”.

A vida prática com a covid é, de facto, muito difícil, e não conseguiremos nunca decretar todas as medidas que resolvam estes problemas”, admitiu.

Desde o início da semana, com o começo do ano letivo, verificaram-se concentrações de centenas de pais e crianças à porta de algumas escolas, confrontadas com horários de entrada diferentes para alunos de anos diferentes e com restrições nas entradas para limpeza das mãos e calçado que fazem aumentar o tempo necessário para a entrada dos alunos na escola.

Os estabelecimentos de ensino seguem o referencial da Direção-Geral de Saúde para a reabertura do ano escolar, contestadas numa petição que reunia hoje à tarde cerca de cinco mil assinaturas e que exige uma revisão de algumas medidas, como a obrigatoriedade de uso de máscaras por crianças com menos de 12 anos – as autoridades de saúde determinaram que a partir dos 10, é preciso usá-las -, as restrições nos intervalos ou a obrigatoriedade do uso permanente de máscaras por educadores de infância.

Questionada sobre riscos para a saúde mental e para o desenvolvimento infantil em consequência destas restrições, a diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, desvalorizou-os e afirmou que nenhuma medida foi adotada “de ânimo leve”.

Acrescentou que “muitos pediatras” consultados pelas autoridades de saúde “sobre o potencial efeito da máscara no desenvolvimento das crianças” afirmaram que na avaliação dos custos e benefícios da medida, “as crianças facilmente se adaptam”.

Não temos escolha. Ou corremos um risco maior de nos infetarmos ou, se não queremos correr um risco tão grande – não havendo risco zero – temos que viver de forma diferente”, declarou a diretora-geral da Saúde.

Marta Temido afirmou que no dia 16 de setembro (quarta-feira) se atingiu “um novo recorde” no número de testes realizados desde o início da pandemia, com 23.289 testes, dos quais 4,6% foram positivos.

Estamos numa situação em que a rede do Serviço Nacional de Saúde continua a responder”, assegurou a governante, acrescentado que as autoridades continuam a apostar na identificação precoce dos casos e na quebra de cadeias de transmissão.

Portugal regista 265 surtos ativos de covid-19, maioritariamente concentrados no Norte (127) e na Região de Lisboa e Vale do Tejo (78). Há ainda 26 surtos no centro do país, 21 no Algarve e 13 no Alentejo.