A Sede do Boavista Futebol Clube está a ser alvo de buscas por parte da Polícia Judiciária e elementos da Autoridade Tributária, confirmou fonte da PGR à TVI24. O inquérito é dirigido pelo Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) do Porto, estando envolvidos na operação meios da Polícia Judiciária e da Autoridade Tributária.

Em causa estão suspeitas de crime de fraude fiscal e branqueamento de capitais, sendo que até à data foi "identificada uma vantagem patrimonial de milhões de euros".

Foram levadas a cabo dez buscas domiciliárias e três buscas não domiciliárias (que incluíram dois escritórios de advogados, duas sociedades anónimas desportivas e dois cofres bancários), realizadas nos Concelhos de Porto, Vila Nova de Gaia, Guimarães e Aveiro", pode ler-se no comunicado da Polícia Judiciária.

Segundo a mesma nota, em causa estará a "não entrega da prestação tributária devida, e a sua subsequente ocultação através do desenvolvimento de atividade empresarial relacionada com a realização e gestão de eventos desportivos".

Os suspeitos envolvidos serviam-se de diferentes ferramentas, entre os quais a utilização de faturação falsa emitida por empresas nacionais e estrangeiras e a ocultação de proveitos. Para o branqueamento foram usados mecanismos como a aquisição de bens móveis e imóveis por sociedades exclusivamente constituídas para o efeito, assim como o investimento em organizações desportivas, com conluio de agentes desportivos. Para concretizarem as atividades ilícitas referidas os suspeitos recorreram a aconselhamento jurídico e técnico especializado", acrescenta a nota.

A operação policial envolveu cerca de 80 elementos, incluindo a participação de Magistrados Judiciais e do Ministério Público e dele resultou a apreensão de documentação diversa relacionada com os factos em investigação.

O Boavist afirmou que está a colaborar com as autoridades e revelou que nenhum funcionário ligado ao clube teve buscas domiciliárias.

O Boavista está a colaborar com as autoridades para que fique esclarecido o mais rapidamente possível. Só mais tarde poderemos abordar o tema com maior clareza. Podemos sim adiantar que ninguém dos quadros do Boavista foi alvo de buscas domiciliárias”, explicou o emblema ‘axadrezado’, numa nota enviada aos jornalistas.

Buscas no Grupo Desportivo da Gafanha

O Grupo Desportivo da Gafanha (GDG), em Ílhavo, distrito de Aveiro, está a ser alvo de buscas por parte da PJ, no âmbito do mesmo inquérito crime.

Em declarações à Lusa, o presidente do GDG, Carlos Peleja, confirmou que elementos da PJ estão nas instalações do clube "a ver a contabilidade entre 2015 e 2017”, que corresponde ao período da direção liderada por João Paulo Ramos.

“Não temos nada a esconder. Facultámos toda a informação pretendida”, disse Carlos Peleja, manifestando estar tranquilo.

Segundo o mesmo responsável, pelas 13:00, os inspetores ainda se encontravam nas instalações do clube que na época passada desceu ao campeonato distrital da Associação de Futebol de Aveiro.

O branqueamento de “milhões de euros”, que levou à realização das buscas, envolvia uma sociedade americana, uma empresa de eventos e advogados vinculados às agremiações desportivas Boavista e Gafanha, disse fonte ligada o processo.

O branqueamento, contou a fonte à agência Lusa, era feito através de um “carrossel de faturas falsas”, que envolvia também o Grupo Desportivo da Gafanha, controlada por Paulo Santos Silva, também ligado à empresa de eventos.

Advogados ligados a estes procedimentos eram, ainda segundo a fonte, Vítor Murta, que é presidente do Boavista FC, e Mário dos Santos Paiva.

Uma das buscas para as quais as autoridades policiais tinham mandado era ao que supunham ser precisamente o gabinete de Mário dos Santos Paiva, nas instalações da sociedade de advogados do Porto cotitulada por Nuno Cerejeira Namora, mas encontram esse mesmo gabinete vazio.

A Judiciária vinha cá fazer buscas. Só que esse advogado já não trabalha connosco, trabalha no Funchal. Não sonhávamos com estes crimes, mas descobrimos outros comportamentos desviantes e despedimo-lo há cerca de um mês”, disse à Lusa Nuno Cerejeira Namora.

Boavista diz que foi 'apanhado' indiretamente nas buscas

O Boavista esclareceu que as buscas de que o clube foi alvo pela Polícia Judiciária e pela Autoridade Tributária sucederam devido a “empresa ou empresas que têm ou tiveram” ligações comerciais com o emblema portuense.

Muito embora nada tivesse a ver, diretamente, com a instituição Boavista, mas com empresa ou empresas que connosco têm ou tiveram acordos comerciais, toda a disponibilidade e colaboração foram dadas às autoridades envolvidas. Queremos deixar claro que nenhum dirigente ou quadro da instituição Boavista foi alvo de buscas domiciliárias por parte das autoridades”, lê-se na página oficial do clube na rede social Facebook.

O comunicado é assinado pela direção do Boavista e pelo Conselho de Administração da SAD ‘axadrezada’.

João Nápoles / AM - Notícia atualizada às 17:41