Um incêndio florestal em Macieira de Sarnes, no concelho de Oliveira de Azeméis, fez um morto, disse fonte do CDOS de Aveiro à TVI.

A vítima, um homem de 65 anos, foi encontrada pelos bombeiros completamente carbonizada.

A Polícia Judiciária (PJ) está a investigar o caso. Em declarações à Lusa, o comandante dos Bombeiros de Fajões, Ricardo Guerra, disse que os indícios recolhidos no local apontam para que o homem tenha sido surpreendido pelas chamas quando estava a fazer uma queimada.

“No local há evidências de terem sido feitas queimas de sobrantes, mas enquanto as autoridades policiais não concluírem as perícias será prematuro dizer que foi derivado a esse facto”, explicou o comandante.

O alerta para o fogo numa zona de mato, em Macieira de Sarnes, no concelho de Oliveira de Azeméis, foi dado cerca das 16:00.

O comandante dos Bombeiros de Fajões disse que o incêndio foi difícil de combater devido ao “forte vento” que se fazia sentir no local.

O fogo foi dado como dominado pelas 18:00, mas às 19:15 ainda se mantinham no local diversos meios envolvidos em trabalhos de consolidação e rescaldo.

O combate às chamas chegou a envolver mais de 60 operacionais das corporações de Fajõies, Oliveira de Azeméis, Arrifana, São João da Madeira e Vale de Cambra, auxiliados por 17 veículos e três meios aéreos.

Homem era “experiente” e tinha autorização para queimada

A presidente da Junta de Freguesia de Macieira de Sarnes diz que a vítima era "responsável, experiente" e tinha autorização para aí realizar esta terça-feira uma queimada.

Florbela Silva identificou a vítima como sendo um homem de 75 anos e descreveu-o como "um homem responsável, muito cuidadoso, que era experiente na realização de queimadas, ia muitas vezes à Junta pedir autorização para elas e tinha inclusive permissão para a que estaria a fazer hoje no seu terreno".

Embora residente em Arouca, a vítima terá adquirido terras em Macieira de Sarnes há alguns anos e, segundo a presidente da Junta, revelava particular esmero no cuidado da sua propriedade, já que "era conhecido por diariamente se deslocar à freguesia para proceder à limpeza do terreno".

Por isso mesmo, Florbela Silva considerou que "é ainda mais de lamentar" o acidente para cuja origem admite pelo menos duas hipóteses: ou incapacidade do proprietário para reagir a "alguma mudança de vento brusca", por exemplo, ou doença súbita que tenha acometido o idoso durante a queimada, o que explicaria que essa tenha ficado inesperadamente sem supervisão.

Joaquim Jorge Ferreira, presidente da Câmara Municipal de Oliveira de Azeméis, também admitiu essas duas possibilidades para o fogo que, já em fase avançada de rescaldo, chegou a envolver o trabalho de 56 homens e 19 viatura das corporações de Fajões, Oliveira de Azeméis, São João da Madeira, Arrifana, Vale de Cambra e Santa Maria da Feira - e também da GNR, do INEM e da Polícia Judiciária, à qual compete agora investigar a morte de Abel Santos.

Não se pode pôr de parte a possibilidade de algum descontrolo na queimada, uma vez que esta tarde havia algum vento e que as temperaturas também estão elevadas para o que é habitual nesta época do ano", admitiu o autarca. "Mas se a vítima teve um ataque cardíaco, por exemplo, o resultado seria o mesmo e daí não podermos falar com ânimo leve de negligência antes de a investigação ficar concluída", defendeu.

Para Joaquim Jorge Ferreira, a conclusão a retirar desta "situação triste", pelo menos "por enquanto, é que mesmo a mais simples das queimadas obriga sempre a grande cuidado e muita atenção".

/ Beatriz Martinho