Um troço da antiga Estrada Nacional 255, entre Borba a Vila Viçosa, ruiu nesta segunda-feira e há "vítimas submersas", apurou a TVI junto de fonte do Comando Distrital de Operações de Socorro (CDOS) de Évora.

As vítimas, cujo número não é ainda claro, havendo a informação inicial de que seriam quatro a cinco, seguiam em dois veículos, um ligeiro e uma carrinha de caixa aberta, que terão caído de uma altura de 50 metros para uma pedreira de mármore contígua à EN255, ao que tudo indica para um poço de água.

Há ainda dois trabalhadores da pedreira desaparecidos, que se encontravam numa retroescavadora quando foram atingidos pelo aluimento de terras. Na sequência dos trabalhos de resgate que estão a decorrer, a retroescavadora é já visível, bem como os corpos das duas vítimas, as únicas confirmadas até ao momento.

Fonte do comando da GNR de Évora disse à TVI que ruíram cerca de 100 metros da estrada, que continua muito instável e, por isso, está cortada por tempo indeterminado.

A chuva dos últimos dias e o facto de existirem muitas pedreiras na região podem estar na origem do aluimento da estrada.

O alerta foi recebido às 15:45.

No local estão dezenas de meios e operacionais, incluindo um helicóptero do INEM. 

Foi também enviado para o local uma Unidade Móvel de Intervenção do INEM para prestar apoio psicológico.

Autarca confirma existência de mortos em número ainda por apurar

O presidente da Câmara Municipal de Borba confirma a existência de mortos na pedreira em número ainda por apurar.

“Lamentavelmente e tragicamente há mortos. Quantos? Não podemos dizer”, disse António Anselmo, em declarações à agência Lusa, sublinhando que aguarda informações por parte das autoridades sobre o número de vítimas mortais.

Assumindo que se trata de um “dia triste” para o concelho de Borba, António Anselmo afirmou que espera que sejam apuradas as causas do aluimento de terras.

"Vamos ver o que é que se passou exatamente e agir de acordo com o necessário”, disse o autarca, eleito por um movimento independente.

Questionado sobre se existiam indícios de que a situação pudesse vir a ocorrer naquela estrada, António Anselmo rejeitou tratar-se de uma “tragédia anunciada”.

Eu penso que não, nunca na vida. É uma tragédia, é um acidente”, afirmou.

Infraestruturas de Portugal garante que estrada é gerida desde 2005 por municípios

A Infraestruturas de Portugal esclareceu hoje que a estrada em causa foi transferida em 2005 para "a jurisdição dos municípios" de Borba e de Vila Viçosa, pelo que "já não é uma estrada nacional".

Sem saber qual a atual designação da estrada, fonte da Infraestruturas de Portugal garantiu à Lusa que a antiga Estrada Nacional 255 é, desde 2005, "gerida pelos municípios de Borba e de Vila Viçosa", que têm a responsabilidade direta pela manutenção e conservação desta via rodoviária.

Questionada se há registo de problemas nesta estrada até 2005, a empresa Infraestruturas de Portugal não adiantou para já essa informação.

Município acolhe familiares das pessoas desaparecidas

A Câmara de Borba abriu esta tarde um espaço para acolher familiares das pessoas que estão desaparecidas na pedreira.

O apoio está a ser prestado por uma equipa de psicólogos do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM), que esteve no local do acidente e, depois, se deslocou para os Paços do Concelho, além da assistente social da câmara.