O helicóptero do INEM que se despenhou no sábado na serra de Santa Justa, em Valongo, causando a morte aos quatro ocupantes, "colidiu com uma torre de transmissão rádio", indica o relatório preliminar do Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e de Acidentes Ferroviários (GPIAAF), conhecido nesta quarta-feira.

O acidente foi classificado pelo GPIAAF como de "impacto sem probabilidade de sobrevivência".

Segundo a documento, a "violência do impacto associada à posição invertida da aeronave no momento do choque com o solo, não deixaram espaço útil de sobrevivência para os ocupantes"

A bordo da aeronove seguiam quatro pessoas - piloto, copiloto, médico e enfermeira.

Elaborada pela unidade de aviação civil do GPIAAF, a investigação de segurança menciona também que "depois de descolar, a tripulação seguiu uma rota praticamente direta entre Massarelos e Baltar, subindo até aos 1300 pés e atingindo 130 nós de velocidade cruzeiro".

"Às 18:40, o helicóptero colide com uma torre de transmissão rádio, localizada na serra de Santa Justa, em Valongo, (…) com 66 metros de altura", que "estava licenciada e foi dotada de equipamento de balizagem luminosa no seu topo", acrescenta a nota, sustentando não ser nesta fase da investigação "claro se esta balizagem estava operacional no momento do acidente".

A violência do impacto "levou a uma distribuição de destroços por uma área superior a 24.600 m2".

O GPIAAF  indica, também, que "não foram encontrados quaisquer indícios de explosão ou incêndio" antes ou depois do impacto.

De acordo com o gabinete, o sistema transmissor de localização de emergência (ELT) da aeronave "foi ativado automaticamente pelo impacto, não sendo, no entanto, possível localizar os destroços da aeronave através do sinal deste equipamento, provavelmente, devido à antena do sistema ter ficado danificada e sem ligação à aeronave e equipamento".

O gabinete informou ter sido notificado do acidente "às 20:42, tendo de imediato deslocado uma equipa de investigação de aviação civil para Valongo", iniciando a "coordenação da investigação com as autoridades locais às 7:30 do dia 16, com o objetivo de recolha de evidências no local".

Reiterando o caráter provisório destas informações, o GPIAAF adverte que esta investigação "visa unicamente identificar os fatores causais e contributivos envolvidos nos acidentes ou incidentes, com vista à eventual emissão de recomendações para prevenção e melhoria da segurança da aviação civil".

Após conclusão da investigação e do procedimento de audiência prévia às partes relevantes, o GPIAAF publicará o relatório final.

NAV anuncia investigação interna

A NAV Portugal rejeitou hoje que tenha demorado excessivamente a alertar a Força Aérea sobre o desaparecimento do helicóptero do INEM, num comunicado em que critica a "mediatização de conclusões incorretas".

O comunicado da empresa responsável pela gestão do tráfego aéreo dá a conhecer resultados da "investigação interna" que fez ao caso do acidente com o helicóptero do INEM, depois de o relatório preliminar da Proteção Civil ter concluído que o alerta após o desaparecimento "não foi efetuado com a necessária tempestividade, podendo ter comprometido o tempo de resposta dos meios de busca e salvamento”.

A NAV justifica a investigação com a necessidade de "exclusivamente averiguar o cumprimento, por parte dos seus serviços, das normas e dos procedimentos a que está obrigada a nível nacional e internacional", designadamente a "diretiva operacional nº4, que a obriga a "assegurar em conjunto com a Força Aérea Portuguesa (FAP) a monitorização permanente do espaço aéreo continental e detetar pelos meios disponíveis situações associadas a eventuais acidentes com aeronaves" e "alertar de forma expedita e no mais curto espaço de tempo o Rescue Coordination Centre (RCC) da Força Aérea (FAP) sempre que constate alguma daquelas situações".

Analisada a fita do tempo, verificável pelas autoridades competentes, e constatando-se que a hora estimada de aterragem era cerca das 18:52, iniciou-se a fase de alerta às 19:22, momento em que os Serviços de Controlo de Tráfego Aéreo iniciaram todos os procedimentos impostos no Anexo 11 para detetar a eventual ocorrência de um incidente ou acidente. Cerca de 10 minutos depois foi contactada a Esquadra Independente de Tráfego Aéreo para confirmar a ausência de informação concreta sobre a aeronave em causa", refere.

E a empresa prossegue indicando que "cerca das 19:38 procedeu-se à notificação do RCC da FAP, via Supervisor do ACC de Lisboa, entrando-se na fase de distress, porque já existia uma razoável certeza de poder ter ocorrido uma ameaça grave à segurança da aeronave e seus ocupantes, cumprindo desta forma todas as obrigações decorrentes da regulamentação em vigor".

"De notar que estes prazos aplicam-se aos voos em espaço aéreo controlado, o que não era o caso do voo de emergência médica sinistrado que estava a voar em espaço aéreo não controlado", sublinha, para logo a seguir concluir: “Sem prejuízo da disponibilidade da NAV Portugal continuar a colaborar com todas as entidades envolvidas com vista ao integral apuramento dos factos, a referida mediatização de conclusões incorretas relativamente à atuação dos serviços de controlo de tráfego aéreo, impôs o presente esclarecimento".

/ CM