Os 38 arguidos acusados de, entre 2015 e 2017, terem traficado droga na zona de Valbom, concelho de Gondomar, conheceram, esta terça-feira, a sentença no Tribunal São João Novo, no Porto. Dos 38, 16 foram absolvidos e 22 condenados a penas entre um e seis anos de prisão. No entanto, apenas seis irão cumprir pena efetiva, uma vez que as restantes são penas suspensas.

Enquanto anunciava as condenações, o presidente do coletivo de juízes aproveitou para tecer duras críticas à investigação, considerando que esta deveria ter sido “mais direcionada e individualizada”.

“Há outras formas de fazer investigação, dois anos de escutas telefónicas é surreal, não pode ser assim, não é assim que se combate o tráfico de droga”, entendeu.

Dizendo que havia escutas “absolutamente irrelevantes”, citando a título de exemplo uma em que se ouvia algumas arguidas a dizer “vai ali à vizinha”, o juiz presidente reforçou que não se pode só fazer investigação pondo “as cassetes a gravar”.

O magistrado acrescentou que a investigação devia ter insistido mais em provas de transações de droga, algo mais firme.

No final, perante os sorrisos de alguns arguidos pelas penas aplicadas, o presidente do coletivo de juízes chamou-os à atenção, explicando-lhes que as penas de prisão, suspensas na sua execução, são “condenações perigosas”.

“Se me aparecerem aqui por não terem cumprido o regime de prova ou por continuarem a passar droga, venham preparados com mala porque vão logo para Custóias [estabelecimento prisional]”, advertiu.

A investigação que deu origem a este processo, da competência da PSP do Porto, culminou em janeiro de 2017 e resultou, além destas detenções, na apreensão de mais de 30 quilos de haxixe e outras drogas, dinheiro, armas e balanças.