O secretário de Estado Adjunto e da Saúde, António Lacerda Sales, revelou esta sexta-feira que há nesta altura 477 surtos em escolas de todo o país.

Na conferência de imprensa de  balanço da pandemia em Portugal, Lacerda Sales revelou que há 58 surtos no Norte, 72 no Centro, 291 em Lisboa e Vale do Tejo, 29 no Alentejo e 27 no Algarve.

Não nos parece que as escolas sejam foco de grande intensidade" na pandemia, sublinhou o governante, afastando para já eventuais cenários de alteração do calendário escolar para antecipar as férias do Natal. 

O Ministério da Educação esclareceu, entretanto, à TVI, que os surtos nas escolas abrangem desde as creches às universidades.

Lacerda Sales descartou também a adoção imediata de cercas sanitárias, mas assinalou que as autoridades desconhecem "a evolução do processo pandémico", pelo que não está fora de hipótese um eventual recurso à medida. 

O governo não pondera, para já, avançar com cercas sanitárias", disse o secretário de Estado.

Lacerda Sales disse ainda ter tido conhecimento do estudo de peritos da OMS que desaconselha o uso de remdesivir para tratar a covid-19, medicamento que foi comprado por Portugal, mas diz que a situação está a ser avaliada a nível europeu e que, para já, não houve qualquer alteração das orientações da Agência Europeia do Medicamento.

Numa recomendação divulgada hoje, peritos da OMS consideram que “não há provas de que o remdesivir tenha qualquer benefício para os doentes e desaconselham o seu uso, quer pela possibilidade de efeitos secundários quer pelo que implica a sua administração”, que tem que ser intravenosa.

Em outubro, Portugal anunciou a compra de cerca de 35 milhões de euros em doses do medicamento, um antiviral fabricado pela farmacêutica norte-americana Gilead, que contestou a nova orientação da OMS.

Na sua revisão, os peritos da OMS consideraram que o remdesivir “não tem qualquer efeito significativo na mortalidade ou noutros resultados importantes para os doentes, como a necessidade de ventilação ou a rapidez nas melhoras”.

Portugal reservou 7,5 milhões de testes

Ao abrir a conferência, Lacerda Sales sublinhou que "numa altura em que Portugal renova o estado de emergência, cabe-nos a todos fazer tudo para achatar a curva". E revelou que o SNS24 está a atender mais de 31.500 chamadas por dia e que foram feitos, em média, mais de 37 mil testes à covid-19 por dia no mês de novembro.

O governante revelou ainda que já foram feitos 30 mil testes de antigénio, os chamados testes rápidos, numa média de 1.672 por dia na última semana, e sublinhou que têm uma sensibilidade "igual ou superior a 90%". Lacerda Sales disse ainda que Portugal fez uma reserva de 7,5 milhões destes testes, que pode ou não ser ativada.

A reserva foi feita através de um mecanismo europeu e acresce aos 500.000 testes da Cruz Vermelha Portuguesa, precisou o governante.

Trata-se de uma reserva que pode ou não ser ativada, mas que diz respeito à nossa preparação e à nossa resposta futura”, afirmou.

Na conferência de imprensa para falar dos testes rápidos esteve o presidente do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA), Fernando Almeida, que frisou que estes testes são "uma ferramenta espantosa" e que permitirão às autoridades de saúde responder aos contágios com maior rapidez. 

O presidente do INSA apontou, porém, que a gestão dos testes rápidos tem de ser feita com rigor, oferecidos em serviços regulados e prescritos por profissionais devidamente habilitados. 

É uma ferramenta espantosa mas teremos de ter muito cuidado na regulação", repetiu.

Bárbara Cruz / atualizada às 19:00