Portugal mantém a 29.ª posição entre 180 países no ‘ranking’ de 2017 sobre níveis de corrupção no setor público elaborado pela Transparency International (TI), ao obter uma pontuação de 63 pontos em 100 possíveis.

Segundo a informação divulgada por aquela organização não governamental anticorrupção, Portugal continua a ocupar a 29.ª melhor posição no ‘ranking’, à semelhança de 2016.

De acordo com a organização, Portugal está dois pontos abaixo da média europeia, o que o presidente da Transparência e Integridade (Transparency International Portugal), João Paulo Batalha, lamenta.

Portugal continua “cronicamente abaixo da média da Europa Ocidental no combate à corrupção”, referiu em comunicado, acrescentando que “esta estagnação é o retrato da falta de vontade política em adotar uma abordagem frontal a este problema crítico para o bom funcionamento das instituições e para a capacidade da economia ser competitiva e captar investimento e gerar emprego”.

Para este responsável, “Portugal precisa de adotar uma estratégia nacional contra a corrupção, que meça os riscos nas várias áreas da vida pública e ponha no terreno medidas eficazes para reforçar a integridade das instituições”.

Enquanto os vários governos “continuarem a ver a corrupção exclusivamente como um problema da justiça continuaremos presos ao ciclo vicioso de escândalos atrás de escândalos”, conclui.

O índice, que avalia 180 países e territórios segundo os seus níveis de perceção de corrupção no setor público, usa uma escala de zero a 100 pontos, em que zero qualifica um país/território como “altamente corrupto” e 100 um “totalmente livre de corrupção”.

Este ano, o índice revela que mais de dois terços dos países têm uma pontuação abaixo de 50, com uma média global de 43.

A Nova Zelândia (com 89 em 100) e a Dinamarca (88) continuam nos primeiros lugares, mas trocam de posição.

Ao nível das regiões, a que conseguiu melhor desempenho foi o conjunto de países da Europa Ocidental, com uma pontuação média de 66. As regiões com pior desempenho são a África Subsaariana (pontuação média 32) e a Europa Oriental e Ásia Central (34).

Em relação aos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP), Cabo Verde continua a ser o melhor classificado, ocupando a 48ª. posição com 55 pontos em 100 possíveis, seguido de São Tomé (64), Moçambique, na 153.ª posição, Angola em 167º. lugar e, por fim, a Guiné Bissau no 171.º posto.

Dos 180 países que compõe o ‘ranking’, a Somália continua a ser o último classificado com apenas nove pontos, antecedida pelo Sudão do Sul, com 12, e pela Síria, com 14 pontos.

O Índice de Perceções de Corrupção, publicado anualmente pela TI, é o principal indicador global sobre os níveis de corrupção no setor público de cada país, medidos a partir das perceções de especialistas externos e de organizações internacionais.