O pai de Valentina foi esta quarta-feira condenado a 25 anos de prisão, em cúmulo jurídico. A madrasta foi condenada a 18 de anos e 9 meses de prisão.

No caso de Sandro Bernardo, são 22 anos pelo crime de homicídio qualificado, 18 meses pela profanação de cadáver, 9 pelo crime de abuso e simulação de sinais de perigo e 3 anos por violência doméstica.

Já Márcia Monteiro foi condenada a 18 anos de prisão pelo homicídio, 18 meses pela profanação de cadáver e 9 meses pelo crime de abuso e simulação de sinais de perigo. 

O Ministério Público, que acusou o pai e a madrasta de Valentina dos crimes de homicídio qualificado e de profanação de cadáver, em coautoria, garantiu que os “arguidos a mataram” e pediu uma pena de 25 anos para ambos.

A leitura do acórdão do Tribunal de Leiria decorreu esta tarde no auditório da Batalha.

O tribunal deu como provado que em maio do ano passado, em Peniche, Valentina, de nove anos, foi espancada pelo pai e foi depois deixada "no sofá", "moribunda" durante várias horas. O coletivo de juízes não teve dúvidas de que a morte de Valentina aconteceu devido às hemorragias provocadas pelas pancadas. E que, apesar de não ter sido responsável pela violência física, a madrasta não impediu os atos do pai e participou no encobrimento.

A menina terá estado até às 22.00 "a agonizar". O pai e a madrasta "planearam esconder o corpo na Serra del Rei" e entretanto "fizeram a sua vida normal". Pelas 22.00, Márcia e Sandro despiram a menor. De seguida levaram-na no banco de trás da viatura. Márcia conduziu até à Serra. Sandro saiu do veículo, pegou no corpo e levou-o ao interior da zona florestal a 33 metros da estrada. Depositou-o no local e cobriu-o com ramos de pinheiro. Depois voltaram para casa.

Os arguidos "mentiram sobre o desaparecimento" e deram informações falsas às autoridades, sublinhou o coletivo de juízes.
Durante os dez dias de buscas, estiveram envolvidos vários meios da GNR, Bombeiros, Câmara Municipal, populares e escuteiro, drones e meios cinotécnicos. No total foram gastos, 33 029 euros, estimou o tribunal.

No tribunal, os dois arguidos deram versões contraditórias dos factos. O juiz sublinhou ainda que Sandro "não mostrou emoção e arrependimento" e 
"não teve conduta séria" em tribunal.

Para as conclusões do coletivo de juízes foram determinantes o resultado da autópsia e o testemunho dos especialistas. A autópsia revelou que já havia lesões anteriores e que, além de ter sido espancada, Valentina tinha também marcas de queimaduras.