Uma das organizações representativas dos táxis prefere que o Governo designe "um interlocutor com credibilidade", para dialogar com o setor, por não confiar no Ministério do Ambiente, disse Florêncio Almeida, na concentração que decorre desde quarta-feira em Lisboa.

"Não gostaria de ser recebido pelo senhor ministro ou pelo senhor secretário de Estado" porque "são pessoas que não merecem confiança", disse hoje à Lusa o dirigente da Associação Nacional de Transportadores Rodoviários em Automóveis Ligeiros (ANTRAL).

"Todas as vezes que reunimos com eles, fomos sempre enganados", afirmou Florêncio Almeida, referindo-se ao ministro João Matos Fernandes e ao secretário de Estado José Mendes, que tutelam os transportes urbanos.

O dirigente associativo espera, por isso, que o primeiro-ministro possa designar outro responsável governativo para dialogar com a ANTRAL e a Federação Portuguesa do Táxi (FPT), que promovem o protesto contra a lei que regula as plataformas eletrónicas de transporte de passageiros.

"Tem que nomear um interlocutor com credibilidade para que nós tenhamos confiança nele, porque quando se perde a confiança em qualquer pessoa é muito difícil negociar-se ou entrar num diálogo que seja construtivo", frisou Florêncio Almeida.

As duas faixas ‘Bus’ da Avenida da Liberdade, em Lisboa, continuavam hoje de manhã, pelo terceiro dia consecutivo, preenchidas com táxis em protesto contra a entrada em vigor da lei que regula as plataformas eletrónicas de transporte de passageiros.

Já no Porto, "Somos táxi" ou "Costa, urgente, ouve o Presidente" são algumas das frases que algumas centenas de taxistas gritam nos Aliados, avenida na qual estão parados hoje, no terceiro dia de protesto, cerca de 300 táxis, estimam os dirigentes.

Até quinta-feira estavam duas faixas de rodagem de cada sentido dos Aliados repletas de viaturas. Hoje, o Porto acordou com a praça da Liberdade também preenchida.

Por sua vez, os taxistas em protesto junto ao aeroporto de Faro acreditam que vão ter hoje novidades favoráveis da classe política, designadamente do Governo e da Assembleia da República, disse um porta-voz.

Francisco José Pereira, da cooperativa Rotáxis Faro, tem sido uma das vozes representativas dos taxistas paralisados em Faro desde quarta-feira e reconheceu hoje à agência Lusa que as condições de higiene e logísticas já não são as melhores, mas os cerca de 200 participantes que têm os carros parados na Estrada Nacional 125/10, junto ao aeroporto algarvio, esperam que hoje haja desenvolvimentos que vão ao encontro das suas reivindicações.

Os taxistas prosseguem hoje em Lisboa, no Porto e em Faro uma jornada de luta iniciada às 05.00 de quarta-feira para travar a lei que regulamenta as plataformas eletrónicas de transporte de passageiros, como a Uber, Taxify, Cabify e Chauffeur Privé, que entra em vigor em 1 novembro.

Depois de um protesto ordeiro, na quarta-feira, que parou cerca de 1.500 carros naquelas cidades, as pretensões dos taxistas não foram atendidas pelos grupos parlamentares, pelo que as associações representativas do setor decidiram manter o protesto até o Governo mostrar que quer negociar.