A Câmara de Borba acionou o Plano Municipal de Emergência, na sequência do deslizamento de terras que provocou a queda de parte de uma estrada, que fez dois mortos e três desaparecidos.

A decisão foi comunicada pelo presidente da Câmara, António Anselmo, durante a conferência de imprensa da Proteção Civil, que deu contado progresso dos trabalhos de drenagem da água das pedreiras onde ocorreu o deslizamento de terras.

Tudo aquilo que é necessário da nossa parte está a ser perfeitamente cumprido e aceitamos tudo o que sejam sugestões concretas e corretas para resolver a situação o mais depressa possível”, frisou António Anselmo, eleito por um movimento independente.

Após o ponto de situação operacional e questionado pelos jornalistas sobre o facto de ter acionado o Plano Municipal de Emergência, António Anselmo realçou a importância deste instrumento para apoio em termos logísticos, no âmbito da operação de resgate.

“Em termos logísticos”, é necessário “um local para as pessoas comerem em condições, um local para tomarem banho, para poderem ter um tipo de apoio onde há muita gente”, disse.

O autarca afirmou também que pretende garantir todos os meios necessários para que as operações de resgate “sejam feitas da melhor maneira e apoiadas da melhor maneira”.

Drenagem em curso

As operações recomeçaram na manhã desta quarta-feira com a instalação de 400 metros de mangueira para drenar a água de um dos poços. Os trabalhos foram retomados cerca das 8:40.

“Estamos a efetuar a drenagem do local da pedreira onde os trabalhadores se encontravam a trabalhar e, em simultâneo, já estamos a executar uma manobra de busca para tentarmos detetar as viaturas na pedreira adjacente”, ou seja, “aquele local onde ocorreu o deslizamento mais significativo de massa”, disse o comandante distrital de Operações de Socorro (CODIS) de Évora, José Ribeiro.

O responsável, que falava aos jornalistas no quartel dos Bombeiros Voluntários de Borba, durante o ponto de situação sobre as operações de socorro em curso, realçou que a drenagem da água que se encontra nas pedreiras é “um ponto fundamental”.

Desta forma, sublinhou o responsável, será possível obter “melhores condições de reconhecimento e de trabalho” para os operacionais no terreno.

No entanto, sublinhou, que através desta ação não quer que sejam criados outros problemas, nomeadamente sobre o local para onde a água está a ser drenada.

“Aquilo que nós não queremos é criar complicações e criar problemas, depois, a jusante”, disse.

José Ribeiro indicou ainda que estão a planear “empenhar algumas máquinas”, assim que a drenagem esteja concluída, no sentido de poderem ajudar nas operações de desobstrução.

Relativamente às viaturas que foram arrastadas na sequência do colapso da estrada, José Ribeiro explicou que as autoridades não têm mais informações do que aquelas que foram já fornecidas por familiares e populares.

“Nós não temos mais nenhuma indicação (viaturas). A informação que nós temos é a que chegou através dos familiares ou de populares, é informação que tem estado a ser trabalhada pelas forças de segurança. É uma informação que nós temos que consolidar ao longo dos dias para ter aqui alguma certeza e, portanto, toda a cautela relativamente ao número de viaturas e muito maior cautela em relação ao número de pessoas que possam estar”, alertou.

No mesmo encontro com os jornalistas, José Ribeiro relatou que as operações de resgate estão a evoluir “conforme planeado”, embora sejam “morosas” e a decorrer em condições de segurança “limite”.

“A operação está a evoluir conforme o que tínhamos planeado, este planeamento não é para muitos dias é quase um planeamento hora a hora, dadas as circunstâncias e dado o cenário que estamos neste momento a trabalhar”, acrescentou.

José Ribeiro reconheceu que “todos” gostariam que estas operações fossem “mais céleres”, mas as especificações das ações que estão a realizar e, por outro lado, as condições de segurança “exigem toda a cautela, em todos os momentos em todos os passos” que estão a desencadear.

Desta forma, sublinhou o responsável, será possível obter “melhores condições de reconhecimento e de trabalho” para os operacionais no terreno.

A Polícia Judiciária está a investigar as circunstâncias do deslizamento de terras para pedreiras e o colapso de um troço de estrada, na sequência de um inquérito instaurado pelo Ministério Público.

O Governo já pediu uma inspeção ao licenciamento, exploração, fiscalização e suspensão de operação das pedreiras situadas na zona de Borba.