O primeiro-ministro, António Costa, afirmou hoje esperar que as manifestações dos coletes amarelos, em todo o país, continuem a decorrer com “tranquilidade” até ao final do dia.

Não há até agora incidentes a registar. Nós desejamos que, como é próprio e tradicional em Portugal, que a manifestação se realize com liberdade democrática e obviamente com respeito e tranquilidade. É assim que tem estado a correr e é assim que espero que continue até ao fim do dia”, afirmou aos jornalistas o chefe do Governo no Seixal.

António Costa visitou esta manhã o bairro da Jamaica, no Seixal, distrito de Setúbal, que concluiu na quarta-feira a primeira fase de realojamento de moradores.

Questionado sobre a adesão dos cidadãos ao movimento, o primeiro-ministro disse não fazer “trabalho de comentador político”, lembrando que as competências do Governo passam por assegurar que quem se quer manifestar, “que o possa fazer” e que “a liberdade democrática seja respeitada".

Até ao momento os protestos têm sido pacíficos e, para António Costa, “não há nenhuma razão em Portugal para alarme social”.

Nós vivemos num país onde felizmente tem sido possível conciliar maior crescimento económico com maior justiça social, com uma fortíssima redução do desemprego e com a progressiva redução das desigualdades. Estamos melhor, é indiscutível, temos que continuar a melhorar, é também indiscutível”, referiu.

Segundo o governante, “vão sempre existir problemas”, mas o mais importante é “enfrentá-los e encontrar soluções”.

Hoje temos aqui [no bairro da Jamaica] mais 64 famílias que passaram a ter uma habitação condigna, quando não tinham e provavelmente tinham perdido a esperança de vir a ter, depois de décadas à espera. O que temos que continuar a fazer é prosseguir esta trajetória para termos cada vez menos pessoas com problemas e melhores condições para que se viva melhor em Portugal”, frisou.

Com a visita ao Seixal a terminar, António Costa reforçou que as manifestações e protestos fazem parte da democracia.

A democracia não é só os momentos em que estamos contentes. Não, há momentos de conflitos, há momentos de protesto e acho que devemos vivê-los com serenidade e com a maturidade democrática que o país tem tido ao longo de décadas. Devemos viver isto com naturalidade e sem alarmismos”, advertiu.

Os protestos dos “coletes amarelos” em Portugal foram convocados por vários grupos através das redes sociais, com inspiração nos movimentos contestatários das últimas semanas em França.