O hacker português Rui Pinto vai ficar a aguardar julgamento em prisão preventiva. O Tribunal de Instrução Criminal de Lisboa considerou esta sexta-feira existirem três dos quatro pressupostos para aplicar esta que é a medida de coação mais gravosa ao colaborador do Football Leaks.

A decisão da juíza de instrução criminal Maria Antónia Andrade surge, e depois uma hora e meia de interrogatório no Campus de Justiça, por acreditar que "existe em concreto o perigo de continuação da atividade criminosa, de perturbação de inquérito e de fuga", três dos pressupostos, não considerando o quarto, o de alarme social.

A juíza, depois de ouvidas as alegações da defesa e de promovida a prisão preventiva por parte do Ministério Público, entendeu concordar com essa medida de coação e aplicou a prisão preventiva, a medida mais gravosa.

O hacker, de 30 anos, chegou ao Campus de Justiça pelas 15:30 horas, numa viatura descaracterizada, depois de ter pernoitado no estabelecimento prisional anexo ao edifício da PJ. Respondeu a questões da juíza e de duas procuradoras do Ministério Público.

A TVI soube, em exclusivo, que o Benfica fez um requerimento ao processo do hacker Rui Pinto para saber quais as provas que estão incluídas no mandato de detenção do pirata informático.

O arguido foi detido na Hungria e chegou a Portugal na quinta-feira, com base num mandado de detenção europeu emitido pelo Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP).

Na base do mandado estão acessos aos sistemas informáticos do Sporting e do fundo de investimento Doyen Sports e posterior divulgação de documentos confidenciais, como contratos de futebolistas do clube lisboeta e do então treinador Jorge Jesus, além de outros contratos celebrados entre a Doyen e vários clubes de futebol.

A extradição para Portugal foi decidida pelo Tribunal Metropolitano de Budapeste, em 5 de março, e confirmada em segunda instância, após recurso de Rui Pinto, que tinha entrado em prisão domiciliária em 18 de janeiro, na capital húngara, na sequência de um mandado de detenção europeu emitido pelo Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP).

Advogado de Rui Pinto vai recorrer

O advogado de Rui Pinto vai recorrer da medida de prisão preventiva.

Naturalmente vamos recorrer. Pensamos que não havia razões para isto", declarou aos jornalistas Francisco Teixeira da Mota, advogado de Rui Pinto, que considerou "exagerada" a medida de coação e informou que o seu constituinte vai permanecer detido nas instalações da Polícia Judiciária.