O cardeal-patriarca de Lisboa, Manuel Clemente, afirmou hoje que a Igreja Católica está disponível "para resolver" a "chaga" dos abusos sexuais, reagindo à abolição pelo Papa do segredo pontifício para os casos envolvendo membros do clero.

Estamos todos do mesmo lado para resolver também esse problema, que é uma chaga. E, por isso, quer da parte da Igreja, quer da parte de todas as entidades onde possa haver resposta... cá estamos, e nós estamos também", disse aos jornalistas, quando questionado pela Lusa sobre a decisão papal, antes de presidir à missa da 31.ª Festa de Natal da Comunidade Vida e Paz, na Cantina da Cidade Universitária, em Lisboa.

O Papa Francisco decidiu abolir o segredo pontifício para os casos de abuso sexual por parte de membros do clero num decreto publicado na terça-feira pelo Vaticano, em resposta a uma das reivindicações das vítimas.

Com a nova instrução, as queixas, processos e decisões referentes a esses casos não estarão sujeitos ao sigilo pontifício.

As vítimas de abuso sexual pediram insistentemente a abolição da prática da Igreja Católica de impor regras de silêncio e confidencialidade aos casos judiciais do Vaticano relacionados com pedofilia praticada por membros do clero, considerando que os agressores estavam protegidos.

Sem-abrigo: Resolução requer urgência porque "a própria sociedade está desabrigada" 

Manuel Clemente, considerou ainda que a problemática dos sem-abrigo requer "urgência de resolução", assinalando que "a própria sociedade está desabrigada" quando estas pessoas "estão desabrigadas".

Manuel Clemente falava, em declarações aos jornalistas, antes de presidir à missa da 31.ª Festa de Natal da Comunidade Vida e Paz, na Cantina da Cidade Universitária, em Lisboa.

"Concordo absolutamente com o Presidente da República no sentido da urgência da resolução [da questão dos sem-abrigo]", afirmou, ressalvando que se trata de "um problema quase estrutural", visível sobretudo nas grandes cidades, cuja "resolução não é fácil".

Segundo o cardeal-patriarca, o "problema das pessoas sem-abrigo" é um problema da sociedade.

"Quando elas estão desabrigadas, é a própria sociedade que está desabrigada também", sustentou, realçando "a vontade reforçada da parte das autoridades", como chefe de Estado, Governo e autarquias, para que o assunto "não saia da agenda, não adormeça entre tantos outros problemas que há para resolver".

/ ALM com Lusa