O Rt em Portugal subiu para 0,89 nos últimos cinco dias, de acordo com Baltazar Nunes, epidemiologista do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge, prevendo-se que possa atingir o 1, limite definido pelo Governo para reavaliação do desconfinamento caso a taxa de incidência também ultrapasse os 120 casos por 100 mil habitantes, "nas próximas semanas".

Na anterior reunião do Infarmed, há duas semanas, o índice de transmissibilidade da covid-19 era de 0,74, mas desde então já atingiu, inclusive, os 0,92, como aconteceu no último dos cinco dias de análise, 17 de março.

Apesar de o Rt estar a aproximar-se de 1 é importante que a incidência esteja a baixar. Gostaríamos de reforçar a necessidade de analisar estes indicadores em conjunto”, disse Baltazar Nunes durante a reunião de especialistas no Infarmed sobre a situação epidemiológica em Portugal.  

O especialista sublinhou, por isso, que se trata de uma subida "natural", mas que os novos dados “ainda não refletem o efeito das medidas implementadas com a abertura do primeiro ciclo e das creches”.

Neste momento, todas as regiões do continente estão com um índice de transmissibilidade abaixo de 1. A excepção é a Região Autónoma dos Açores, sendo que ainda não é possível estimar o valor para a Madeira, segundo Baltazar Nunes.

Já o grupo etário com maior incidência "está entre os 20 e os 30 anos”, enquanto no grupo com mais de 80 anos, onde a taxa de mortalidade é maior, registou-se “uma redução bastante acentuada”.

Recorde-se que o primeiro-ministro António Costa já tinha avisado que as medidas de desconfinamento serão revistas sempre que Portugal ultrapassar os 120 novos casos por 100 mil habitantes e que o índice de transmissibilidade ultrapasse 1.

Sistema de notificação tem de ser mais rápido

Na mesma reunião, Ricardo Mexia, médico de saúde pública e também especialista em epidemiologia do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge, chamou a atenção para a necessidade "premente de ter um sistema de notificação que seja simples e funcione rapidamente".

Perante a evidência dos resultados tem de haver uma resposta rápida", afirmou.

Essa deverá ser uma das principais preocupações no momento em que se define um plano de operacionalidade com vista à "promoção da testagem massiva e sistematica da população".

Este plano tem de obedecer a critérios objetivos e envolver várias instituições, desde as autarquias às organizações sociais, passando pelas farmácias e centros de saúde, defendeu o especialista.

A operação de testagem deve, ainda, ter em conta uma analise epidemiológica em função da maior incidência, por regiões e por faixas etárias, mas também as populações com maior exposição (por exemplo nos transportes), consideradas mais vulneráveis (migrantes, sem abrigo, etc) ou que cumprem serviços essenciais.

Nos últimos dias, tem havido um "aumento importante" da testagem, sobretudo dos testes rápidos, enquanto os testes PCR têm conhecido uma "estabilização", revelou.