Mais de 13.400 casos de sarampo foram registados no último ano em 30 países europeus, incluindo 126 casos em Portugal, segundo um relatório do Centro Europeu de Controlo de Doenças.

O balanço de 13.453 casos de sarampo refere-se ao período entre início de outubro do ano passado e final de setembro deste ano.

O relatório produzido este mês pelo Centro Europeu de Controlo de Doenças (ECDC, na sigla inglesa) mostra que nenhum dos 30 países analisados registou zero casos de sarampo, sendo que o maior número de infeções ocorreu na Grécia (com mais de três mil), em França (mais de 2.700) e em Itália (mais de 2.500).

Em Portugal, entre outubro de 2017 e outubro deste ano houve 126 casos de sarampo confirmados laboratorialmente, sendo que a maioria se registou em março deste ano, aquando do surto no hospital de Santo António, no Porto.

De todos os mais de 13 mil casos de sarampo na Europa no último ano, pelo menos 9.800 ocorreram em pessoas não totalmente vacinadas com as duas doses recomendadas da vacina.

Muitas das crianças infetadas com sarampo ainda não tinham um ano de idade (cerca de 1.500), não atingindo portanto a idade mínima para levar a primeira dose de vacina, que em Portugal é dada aos 12 meses no Programa Nacional de Vacinação. A segunda dose é administrada aos cinco anos.

"O sarampo continua a espalhar-se na Europa porque a cobertura vacinal em muitos países" está abaixo do que devia. Só quatro países dos 30 analisados pelo ECDC tinham taxas de cobertura vacinal de pelo menos 95%, sendo que entre eles está Portugal, a par com a Suécia, Hungria e Eslováquia.

Portugal tem atualmente em atividade dois surtos distintos de sarampo, na região de Lisboa e Vale do Tejo, sendo que ambos com origem em casos de doenças importados de países europeus.

Segundo o Direção-geral da Saúde (DGS), o número de casos suspeitos na sexta-feira à tarde era de 24, havendo 15 já confirmados laboratorialmente pelo Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge.

O sarampo é uma doença altamente contagiosa e pode provocar doença grave, especialmente em pessoas não vacinadas. A vacinação é a melhor forma de prevenção da doença, segundo as autoridades de saúde. As pessoas vacinadas podem contrair a doença, mas numa forma mais ligeira, sendo que não apresentam um quadro clínico tão contagioso.