O ex-chefe de gabinete do ex-ministro da Defesa, o tenente-general Martins Pereira, garantiu na quarta-feira, durante o interrogatório a que foi submetido, que informou Azeredo Lopes do memorando que lhe foi entregue, há menos de um ano, por aquele que era, na altura, diretor da Polícia Judiciária Militar, o coronel Luís Vieira, noticia o Público.

A Procuradoria-Geral da República negou entretanto à TVI que esteja agendada uma audição ao ex-ministro da Defesa, depois de alguns meios de comunicação terem noticiado que Azeredo Lopes seria chamado a depor para esclarecer se teve ou não conhecimento que a recuperação das armas foi feita à margem da lei.

De acordo com o Público, Martins Pereira contou que informou de imediato Azeredo Lopes, através do WhatsApp, dando-lhe conta do memorando sobre a encenação da recuperação das armas roubadas em Tancos.

O mesmo jornal adianta que o tenente-general colocou o telemóvel à disposição dos investigadores para uma perícia que comprove o que afirmou no interrogatório.

Numa primeira posição pública, o antigo chefe de gabinete de Azeredo Lopes confirmou apenas ter recebido o major Vasco Brazão e o diretor da Polícia Judiciária Militar, o coronel Luís Vieira. Mais tarde, numa outra declaração, Martins Pereira assumiu que nessa altura recebeu o memorando. Mas o ministério da Defesa já garantiu que não há nos arquivos qualquer registo desse documento e Azeredo Lopes sempre assegurou não ter tido conhecimento dessa encenação.

O Público sublinha que, depois do que o Tenente General Martins Pereira contou agora à justiça, vai ser difícil que Azeredo Lopes não seja chamado pelos investigadores para explicar o que se passou e para revelar se transmitiu a informação ao primeiro-ministro, António Costa.

Além do ex-ministro da Defesa, também Cândida Vilar pode vir a ser ouvida, mas neste caso pelo Tribunal da Relação de Lisboa e não pelo DCIAP, já que se trata de uma procuradora.

O jornal adianta que Cândida Vilar, que dirige a investigação às duas mortes nos Comandos, foi escutada ao telefone com o major Vasco Brazão que tinha em mãos essa investigação na PJ Militar. Na altura destas conversas, em fevereiro deste ano, a PJ civil estava determinada a conseguir registos da Judiciária Militar e da GNR sobre o uso de viaturas e telemóveis pessoais e de serviço. Cândida Vilar terá aconselhado Vasco Brazão a não fornecer esses dados, defendendo que a lei não permite a investigação das policias umas às outras.

Ministério Público não chama Azeredo Lopes a depor

A Procuradoria-Geral da República (PGR) nega que esteja agendada uma audição ao ex-ministro da Defesa, Azeredo Lopes.

Informa-se que o Ministério Público do DCIAP não tem, neste momento, qualquer diligência agendada no âmbito da designada “Operação Húbris”, informou a PGR, numa resposta enviada à TVI.

Alguns meios de comunicação davam conta, esta quinta-feira de manhã, de que Azeredo Lopes iria ser chamado a depor no Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP), depois de o seu antigo chefe de gabinete, o tenente-general Martins Pereira, o ter implicado no encobrimento do caso do material militar furtado de Tancos.

   
Pedro Reis / AR - atualizada às 11:44