Através de um comunicado enviado às redações, a Associação 25 de Abril informou que o Otelo Saraiva de Carvalho vai ser velado na Igreja da Academia Militar, em Lisboa.

Acrescentando ainda que o velório está previsto para terça-feira (dia 27), a partir das 16:30. O funeral ocorrerá na quarta-feira (dia 28).

O cortejo fúnebre parte na quarta-feira, pelas 12:30, da Capela da Academia Militar, para o Crematório de Cascais em Alcabideche, informou a empresa Servilusa.

O corpo do Capitão de Abril Otelo Saraiva de Carvalho será cremado.

A Associação 25 de Abril apresenta ainda "profundos e sentidos pêsames aos familiares" e lembra Otelo "como um dos principais Capitães de Abril".

Otelo Nuno Romão Saraiva de Carvalho, o Capitão de Abril que, naquele "dia inicial, inteiro e limpo", o 25 de Abril de 1974, liderou o Posto de Comando do Movimento das Forças Armadas, acção fundamental na vitória sobre uma ditadura de 48 anos que conduzira os portugueses ao obscurantismo, à guerra colonial e à pobreza. 

Homem de enorme coragem e generosidade, sempre ao serviço dos seus ideais, com um coração onde cabiam, acima de tudo, os mais genuínos sentimentos da Amizade,  serviu Portugal sem se servir, deixa um legado que a memória dos portugueses não esquecerá. 

Otelo ficará na História de Portugal como um dos principais Capitães de Abril. O País fica mais pobre com a sua partida. 

Como mais pobres ficam a sua Associação 25 de Abril e os seus Amigos. 

Os nossos profundos e sentidos pêsames aos seus familiares.  

 


Até sempre, caro Otelo", pode ler-se no comunicado assinado pelo presidente da Associação 25 de Abril Vasco Lourenço.

À TVI24, Vasco Lourenço lembrou Otelo como "um grande amigo e grande patriota" que teve "a sorte e a honra" de comandar a operação que  "derrubou a ditadura".

Guardo a memória de um grande amigo e patriota com ideais do tamanho do mundo”, refere Vasco Lourenço.

 

Nascido em 31 de agosto de 1936 em Lourenço Marques, atual Maputo, Moçambique, Otelo Nuno Romão Saraiva de Carvalho teve uma carreira militar desde os anos 1960, fez uma comissão durante a guerra colonial na Guiné-Bissau, onde se cruzou com o general António de Spínola, até ao pós-25 de Abril de 1974.

No Movimento das Forças Armadas (MFA), que derrubou a ditadura de Salazar e Caetano, foi ele o encarregado de elaborar o plano de operações militares e, daí, ser conhecido como estratego do 25 de Abril.

Depois do 25 de Abril, foi comandante do COPCON, o Comando Operacional do Continente, durante o Processo Revolucionário em Curso (PREC), surgindo associado à chamada esquerda militar, mais radical, e foi candidato presidencial em 1976.

Na década de 1980, o seu nome surge associado às Forças Populares 25 de Abril (FP-25 de Abril), organização armada responsável por dezenas de atentados e 14 mortos, tendo sido condenado, em 1986, a 15 anos de prisão por associação terrorista. Em 1991, recebeu um indulto, tendo sido amnistiado cinco anos depois, uma decisão que levantou muita polémica na altura.

Nuno Mandeiro