Os sindicatos de professores anunciaram hoje que vão realizar uma manifestação nacional em 23 de março em Lisboa como forma de luta pela recuperação integral do tempo de serviço congelado.

A decisão foi anunciada depois de uma reunião da plataforma que reúne as 10 estruturas sindicais que têm negociado com o Governo a recuperação do tempo de serviço congelado e que na segunda-feira estiveram reunidos com representantes dos ministérios da Educação e das Finanças que voltaram a apresentar a proposta de recuperação de dois anos e nove meses e 18 dias de tempo de serviço, quando os professores exigem a reposição de nove anos, quatro meses e dois dias.

“Esta foi uma reunião sem novidades”, que revelou “falta de vontade do Governo de discutir as propostas dos sindicatos", afirmou Mário Nogueira, secretário-geral da Fenprof, um dos organismos da plataforma sindical.

No final do encontro de segunda-feira ficou agendada para a próxima semana a realização de uma segunda reunião negocial, mas os sindicatos afirmaram hoje que só iriam estar presentes se a convocatória tivesse como objetivo discutir a proposta das estruturas sindicais.

“Apelamos ao Governo para que tenha um sinal de boa-fé negocial (…) para que a reunião de 4 de março possa ser sobre o prazo e modo de recuperação do tempo de serviço de acordo com a proposta que apresentámos”, afirmou João Dias da Silva, secretário-geral da Federação Nacional de Educação (FNE).

Apesar do apelo, os sindicalistas dizem sentir que "parece não valer a pena negociar” com o Governo e acreditam que a solução poderá estar na Assembleia da República, tendo já decidido pedir uma reunião a todos os grupos parlamentares no próximo dia 7 de março.

As organizações sindicais vão entregar na Assembleia da República uma petição com 60.726 assinaturas exigindo o faseamento da recuperação integral do tempo de serviço congelado e uma solução semelhante encontrada para os professores da Madeira.

“Face ao bloqueio negocial imposto pelo Governo”, os sindicatos vão pedir aos partidos políticos que avancem “através de uma lei da República para que acabe com este problema o mais rapidamente possível para não prejudicar o terceiro período”, afirmou Mário Nogueira.

O secretário-geral da Fenprof lembrou que “a Assembleia da República tem uma maioria que mandou regressar às negociações (…) e essa maioria já confirmou (esta segunda-feira) que é a favorável à recuperação de todo o tempo de serviço”.

Para precaver que cada bancada parlamentar venha a apresentar uma proposta que depois poderia ser chumbada pelos outros partidos, os sindicatos vão apresentar uma sugestão que permita aos partidos encontrar uma solução convergente, que passa pela extensão da solução encontrada para os docentes da Madeira.

Entretanto, entre os dias 11 e 20 de março, irão decorrer plenários e reuniões em todas as escolas do país para consultar os professores sobre eventuais formas de luta que estão dispostos a levar a cabo, acrescentou Mário Nogueira.

Greves a começar já este período, greve com incidência nos anos de exames ou em todos os anos de fim de ciclo são algumas das hipóteses colocadas sobre a mesa pela plataforma que garante que fará apenas o que os professores decidirem.

Mário Nogueira garantiu que a “consulta será feita com um enorme rigor para que não sejam anunciadas medidas que depois os professores não tencionam fazer”.

As medidas serão conhecidas no dia da manifestação nacional.