O presidente da Associação Portuguesa de Hospitalização Privada (APHP) afirmou esta quarta-feira que é cada vez menor o interesse destas unidades em fazer cirurgias para o Serviço Nacional da Saúde (SNS) pelo preço “pouco atrativo” e os prazos de pagamento.

Óscar Gaspar falava perante os deputados da Comissão parlamentar de Saúde que esta quarta-feira está a ouvir os principais credores do SNS, a pedido do CDS, tendo já ouvido os representantes da indústria farmacêutica e das empresas de dispositivos médicos.

De acordo com o presidente da APHP, que começou por recordar que existem 110 hospitais privados em Portugal, as dívidas dos hospitais públicos não são as que mais preocupam o setor, situando-se nos sete milhões de euros.

Maior apreensão causa ao setor os subsistemas que contabilizam, atualmente, 92 milhões de euros em dívida aos hospitais privados.

Para Óscar Gaspar, o recurso do SNS aos hospitais privados cinge-se cada vez mais ao programa de combate às listas de espera (SIGIC), nomeadamente nas áreas da ortopedia e oftalmológica.

Contudo, o presidente da APHP revelou que é cada vez menor o interesse das unidades privadas de saúde em realizarem estas intervenções, não só pelo valor que recebem, que “não é atrativo”, como também pelo prazo médio de pagamento: 338 dias.

“Os hospitais dispensam o SIGIC”, disse Óscar Gaspar, para quem “é uma falsa questão dizer-se que os privados querem o SIGIC. É cada vez menos compensador”.

As alterações das regras do SIGIC, em maio de 2016, no sentido de deixarem de ser as Administrações Regionais da Saúde (ARS) a suportar os custos das cirurgias, passando a ser os hospitais que não garantiram resposta em tempo adequado, terá contribuído para algumas dificuldades dos hospitais privados.

Durante alguns meses, disse Óscar Gaspar, estas unidades de saúde tiveram muitas dificuldades em cobrar as cirurgias realizadas ao abrigo do SIGIC.

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