A Procuradoria-Geral da República portuguesa entregou a Angola, na semana passada, o conjunto de informações sobre bens, ações e propriedades que vários cidadãos angolanos têm em Portugal.

O documento foi entregue em mãos a um funcionário judicial da procuradoria-geral angolana, que veio a Lisboa de propósito para receber a lista das fortunas que várias personalidades angolanas possuem em Portugal.

O processo, entregue pelo Departamento Central de Investigação e Ação Penal, cumpre uma carta rogatória pedida há mais de um ano pela PGR angolana.

O processo tem mais de 7 mil páginas e detalha contas bancárias, aplicações financeiras em fundos de investimento, imóveis e participação em empresas em Portugal.

Na investigação portuguesa constam dezenas de nomes, incluindo três filhos de José Eduardo dos Santos, ex-presidente de Angola.

O documento confirma que Isabel dos Santos tem participações em empresas como a NOS, a Galp ou a Efacec, e que Tchizé dos Santos possui imóveis em Portugal, assim como o irmão Zenu dos santos, ex-presidente do fundo soberano de Angola.

No processo constam ainda informações sobre o antigo chefe da casa militar Manuel Hélder Vieira Dias e o antigo chefe das secretas angolanas, Leopoldino Fragoso do Nascimento, que tem várias contas bancárias apreendidas em Portugal.

Na carta rogatória pedida por Angola ficaram de fora Álvaro Sobrinho, ex-presidente do Banco Espírito Santo Angola, e Manuel Vicente, antigo vice-presidente de Angola e ex-presidente da petrolífera Sonangol.

O documento entregue pela PGR portuguesa visa apenas as informações pedidas pelas autoridades angolanas. Por cá, continuam em investigação os processos de branqueamento de capitais.

Inês Pereira