O coordenador da task force de vacinação contra a covid-19 garante esta quarta-feira que as regiões mais atrasadas na vacinação vão receber um reforço ligeiro para que se encontrem equilibradas com as outras Administrações Regionais de Saúde.

Em entrevista à TVI, Gouveia e Melo voltou a reforçar que todo o país iniciará a campanha de vacinação para as idades acima dos trinta e quarenta anos em junho.

Todo o país é acelerado, porque há um conjunto de vacinas a chegar", destaca o vice-almirante, sustentando que o fluxo maior de vacinas permite uma tentativa de equilibrar as percentagens relativas ao resto das regiões.

As diferenças percentuais no ritmo de vacinação são explicadas pelas características etárias de cada região, afirma Gouveia e Melo, destacando que "até agora, estivemos a vacinar puramente por faixas etárias para atingir os sessenta anos. As regiões têm estruturas etárias diferentes, há regiões com população mais jovem, outras com população mais idosa. Regiões com população mais idosa naturalmente fizeram progressos, tendo em causa a situação global", afirmou o coordenador da task force.

O coordenador destaca ainda que a faixa etária dos cinquenta aos cinquenta e cinco anos já está a ser vacinada a partir de agendamento local, sendo que o auto agendamento pode acontecer já na quinta-feira.

Portugal deve esta semana acabar o processo de vacinação acima dos sessenta anos. Com esse objetivo concluído, reitera o responsável, "protegemos 96% da população internada no último ano de pandemia".

Uma vez atingido a faixa etária dos sessenta e cinquenta anos, temos protegido grande parte da população para a doença grave e internamento. Depois, a estratégia é libertar a economia", aponta.

A estratégia, de facto, muda no momento em que, explica, os indicadores revelam uma população gradualmente vacinada "e que atingiu uma meta importante que é proteger a parte mais frágil da população. A reforma de raciocinar sobre a pandemia tem de mudar necessariamente".

Questionado sobre se as metas definidas para Portugal atingir uma imunidade de grupo de 70% em agosto, Gouveia e Melo reafirma o objetivo e garante que todo o país chegará à meta ao mesmo tempo. "Vamos chegar todos aos 70% de imunidade de grupo. Não se vão manter as bolsas".

 

Portugal administra uma média de 80 mil vacinas diariamente

Inquirido sobre as revisões sobre as idades indicadas para determinadas vacinas e se isso pode levar ao desperdício de vacinas, o coordenador da task force nega que tal venha a acontecer e aponta para os PALOPs e para o Fundo Covax como destino para as vacinas que possam não entrar no Plano Nacional de Vacinação.

"Podemos ter que ceder essas vacinas para o fundo Covax, ou para os PALOP. Corremos é o risco dessas vacinas não contribuírem para o plano nacional de vacinação", destaca, explicando que, uma vez vacinada a faixa etária, todas as vacinas que chegarem após esse período já não são indicadas para a mesma. 

Exemplificando, o coordenador afirma que as autoridades de saúde administraram cerca de um milhão de vacinas de primeira dose da AstraZeneca. Neste momento, "temos que dar um milhão de vacinas segunda dose. No entanto, após darmos este milhão de vacinas de segundas doses, entretanto já vacinámos toda a população acima dos sessenta anos. O que significa que todas as vacinas que chegarem a seguir da AstraZeneca não terão efeito no nosso plano nacional".

Sobre a AstraZeneca, no entanto, Gouveia e Melo rejeita uma preocupação alargada por parte da população. "A grande maioria das pessoas prefere fazer segunda dose com a mesma vacina do que estar à espera de um plano que ainda não está perfeitamente definido para fazer uma vacinação cruzada".

No entanto, destaca que 200 mil pessoas abaixo dos sessenta anos foram vacinadas com AstraZeneca. Nestes casos, se desejarem receber a mesma vacina na segunda fase "precisam de ter um consentimento informado". "Se quiserem esperar por outra alternativa que não existe, esperam e a DGS há de dizer que alternativa é essa quando tiver estudada e estruturada", reitera.

O vice-almirante informa ainda que o ritmo de vacinação em média para todo o Portugal tem sido de 80 mil vacinas diariamente e que há dias em que o número de inoculações ascendeu aos 100 mil. 

Na última semana, de acordo com dados disponibilizados diariamente à TVI pela task-force, Portugal Continental administrou uma média de 70 mil vacinas diariamente, tendo o pico ocorrido entre o dia 19 e o dia 22 de maio. 

São números que ficam aquém do objetivo definido por Gouveia e Melo, ainda que fonte da task-force acredite que, daqui a 15 dias, Portugal consiga ter valores diários acima das 100 mil inoculações.