O Ministério Público (MP) está a investigar o Centro Geriátrico Jasmim, no Seixal. A investigação resulta de uma queixa por maus tratos a idosos apresentada pelo Sindicato dos Trabalhadores do Comércio Escritórios e Serviços de Portugal (CESP).

As imagens, captadas por trabalhadores que denunciaram a situação, são impressionantes. Idosos a dormir com a boca cheia de comida, com perigo real de sufocarem, a dormirem sentados em cadeiras de rodas, com a mesma fralda há horas e sem banho há dias. Foram imagens destas que levaram o STCESP a apresentar queixa por maus tratos a idosos contra o Centro Geriátrico Jasmim.

Quando eu oiço um idoso que se queixa que tem fome ou que não lhe dão alimentação ou que esta mais de 12 horas sem lhe mudarem a fralda ou que esta cinco dias sem lhe darem banho… para mim, isto e maus tratos", diz Fernando Pais, do CESP.

Um antigo trabalhador do lar desencadeou o processo. Não se conformou com o que viu desde o primeiro dia: "A maneira como eles estavam todos encardidos, todos sujos. A cheirar mal… depois eles pediam para ir a casa de banho e diziam-lhes para esperarem. Isso foi no meu primeiro dia de integração na equipa. Pediam para ir a casa de banho, a colega levantava a mão para cima como quem diz ‘vai depois, espera se quiser’."

Os trabalhadores do turno da noite queixam-se que encontravam os utentes nas piores condições: "Todos urinados, até à cabeça. Com fezes. Não tinha por onde se pegar. Tinha que ir para a casa de banho as 11 da noite… a meia-noite… porque não tinha como tratar dele na cama. Era assim que eu apanhava muitas vezes os utentes.”

Um dos vídeos a que a TVI teve acesso, mostra a conversa entre um colaborador e uma utente. Nela, podemos ouvir a utente queixar-se que não lhe tinha mudado a fralda e que também não pediu, porque “elas não mostram cara boa” quando pede. Era hora de entrada do turno da noite e estava com a mesma fralda desde as 06:00. Para agravar a situação, tratava-se de uma utente com infeção urinária.

Outro utente queixa-se que pediu para lhe mudarem a água da dentadura. Não o fizeram. E as imagens mostram água cheia de impurezas e bolores.

Uma antiga utente, que não quis permanecer no lar, conta que tomava banho de 15 em 15 dias. Nos outros dias “lavavam, quando lavavam”.

Um antigo trabalhador denuncia que não era possível chamar o 112, no caso de algum acidente ou doença súbita, sem a autorização “do patrão”. E mostra o caso de um idoso que caiu, se magoou na cabeça e não teve o socorro devido, sem antes ser avisado o dono do lar.

O Jasmim Centro Geriátrico diz estar perante uma denúncia caluniosa de uma ex-trabalhadora a quem não foi renovado o contrato. Afirma ainda que já pediu uma inspeção à Segurança Social e que até à conclusão do relatório se remete ao silêncio.

Maria José Garrido / Publicada por MM