O Hospital Professor Doutor Fernando da Fonseca (HFF), também conhecido como Amadora-Sintra, afirmou esta sexta-feira que a rede de oxigénio está a funcionar de "forma estabilizada e dentro de padrões de segurança".

A unidade mantém a monitorização permanente do fluxo de oxigénio, na sequência de uma sobrecarga naquela rede, que acabou por levar à necessidade de transferir 43 doentes para outros hospitais, com o objetivo de garantir a diminuição do número de doentes internados a quem é necessário administrar oxigénio em alto débito.

Dos doentes transferidos, 38 têm covid-19, mas cinco deles não recebiam qualquer tipo de ventilação. Entre os outros cinco estão três crianças, que ao que a TVI apurou, estavam a receber oxigénio nos cuidados intensivos, onde tinham dado entrada há pouco tempo. O Hospital de Santa Maria recebeu 13 doentes, o hospital de campanha de Portimão recebeu quatro, o Hospital de São José recebeu 17 e o Hospital das Forças Armadas cinco. Houve ainda pacientes transferidos para o Hospital Egas Moniz.

O problema ocorreu numa das enfermarias do Amadora-Sintra, não tendo afetado a unidade de cuidados intensivos, sendo que nunca esteviveram vidas em risco.

Não está em causa, como nunca esteve, a disponibilidade de oxigénio ou o colapso da rede, dado que os constrangimentos estavam relacionados com a dificuldade existente em manter a pressão. De igual modo, em momento algum os doentes internados estiveram em perigo devido a esta ocorrência, tendo as flutuações da rede sido colmatadas com recurso a garrafas de oxigénio, envolvendo a mobilização de vários profissionais, cujo esforço se enaltece e agradece publicamente", garantiu o HFF.

Na prática, o que aconteceu foi que o elevado consumo de oxigénio fez com que a tubagem não debitasse a quantidade necessária para todos os doentes.

Todos estes pacientes estavam a ser ventilados de forma não invasiva, o que requer uma maior dose de oxigénio, levando a um maior esforço da rede instalada.

Na nota divulgada, o HFF agradece a solidariedade dos hospitais que receberam os doentes que ali se encontravam internados, assim como às corporações de bombeiros, INEM e empresas privadas que permitiram transferir os doentes “num tempo relativamente curto”.

Esta situação acabou por afetar diretamente vários doentes com covid-19 que recebiam assistência naquela unidade.

O HFF lembra que é o hospital da região Lisboa com mais doentes covid-19 internados, com um total de 363 (à data de terça-feira), que houve um aumento de 400% de doentes infetados com o novo coronavírus internados naquela unidade desde o início do ano e que muitos deles “necessitam de oxigénio medicinal em alto débito”.

O HFF informa que a sua rede de oxigénio medicinal encontra-se a funcionar de forma estabilizada e dentro de padrões de segurança, mantendo-se a monitorização permanente do seu fluxo. Tal como informado, verificaram-se ao início da noite de ontem um conjunto de constrangimentos na referida rede, tornando aconselhável a transferência de 53 doentes para outras unidades de saúde da região de Lisboa, com vista a garantir a diminuição do número de doentes internados a quem é necessário administrar oxigénio em alto débito. 

Diz também que já tem em curso “um conjunto de obras para reforço da rede de fornecimento de oxigénio, designadamente as áreas das enfermarias, serviços de urgência, unidades de cuidados intensivos, entre outras”.

O reforço desta infraestrutura vai melhorar a capacidade de resposta a eventuais necessidades de aumento do consumo”, acrescenta.

Além disso, “tiveram também já início os trabalhos de instalação de uma rede redundante na Torre Sintra, que - tal como a rede redundante já instalada na torre Amadora - irá reforçar a rede de gases medicinais já existente”.

O Amadora-Sintra informa ainda que, adicionalmente, “vai também ser instalado um tanque de oxigénio para alimentar em exclusivo a Área Dedicada a Doentes Respiratórios do Serviço de Urgência e que ficará independente da rede principal” do hospital.

Hospital Amadora-Sintra só deverá receber doentes no final da semana

A Administração Regional de Saúde de Lisboa admite que o problema na rede de oxigénio do Hospital Amadora-Sintra ainda não está resolvido e que a unidade só deverá poder receber doentes no final da semana.

Em declarações à rádio TSF, o presidente da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARSLVT), Luis Pisco, explicou que os problemas na rede de oxigénio medicinal, que na terça-feira obrigaram a transferir 53 doentes para outras unidades, estão relacionados com “um excesso de consumo face àquilo que era a capacidade do sistema”.

É um pouco como a água, que se tiver muitas pessoas a usar ao mesmo tempo perde pressão”, explicou o responsável, acrescentando que o hospital teve de retirar alguns doentes “para que os utilizadores voltassem a ser cerca de 270”, normalizando o débito de oxigénio.

Questionado pela TSF sobre quando estará a situação resolvida, o presidente da ARSLVT respondeu: “Até final da semana estarão a ser feitas algumas alterações para permitir um alívio na situação e que possa voltar a ter mais doentes”.

António Guimarães Rita Barão Mendes / com Lusa-Notícia corrigida às 13:06